Serra Dourada, Goiás, Brasil

Onde o Cerrado Ondula Dourado


Os Retalhos da Serra Dourada
O Monte da Sombra
O Guia Orlei
De Olho na Boiada
Caipira Cansado
Linhas da Serra Dourada
Ipê Rosado
O Dourado da Serra Dourada
Cachoeira
Palmeiral
A Cidade de Pedra
Ocaso Colorado
Cidade de Pedra empilhada
Mais Dourado da Serra Dourada
Um dos tipos de savana da América do Sul, o Cerrado estende-se por mais de um quinto do território brasileiro que abastece de boa parte da água doce. Situado no âmago do Planalto Central e do estado de Goiás, o do Parque Estadual Serra Dourada resplandece a dobrar.

Um passeio demorado em redor da Vila Boa de Goiás revela a beleza pitoresca de certas bolsas de floresta e das roças.

As plantações de cana-de-açúcar alongam-se sem fim. A boiada pasta na vastidão das planícies gramadas e infestadas de cupinzeiros.

Os ipês brancos e rosados destacam-se dos prados, na proximidade de chácaras e sítios centenários a que descendentes de emigrantes europeus perdidos no tempo, há muito entregam o seu suor.

Numa delas, cruzamo-nos com um grupo de caipiras.

Seguem uma longa caravana de juntas de bois que, para nos darem passagem, se veem obrigados a desviar do caminho.

Um dos caipiras, ancião, abriga-se do sol tropical sob um chapéu de couro negro, de abas largas que condiz com as calças escuras.

Malgrado a protecção, tem a pele avermelhada e os olhos verdes embaciados pelos raios solares, como que esvaziados de emoção.

Mostra-se tão intimidado pelos forasteiros que prefere não interromper o corte de cana a que se dedicava.

Saúda-nos de volta, de forma fugidia. Permite que tiremos um retrato. Logo, regressa ao aconchego do afazer rural.

Cerrado de Goiás e a Complexidade dos seus Ecossistemas

Por ali, como por toda a vastidão do Planalto Central, os “oásis” de buritis assinalam os rios e lençóis de água subterrâneos, prolíficos neste Centro-Oeste retirado de Brasília e do Brasil.

Os fazendeiros sabem-no. Expandem e alinham as suas propriedades de acordo com os sagrados buritizais, quanto mais densos e extensos, melhor. O que não quer, todavia, dizer que a água doce seja escassa.

O Cerrado brasileiro é conhecido pelos cientistas como o “berço das águas” ou a caixa d’água do país. Renova-se sobre três grandes aquíferos, essenciais ao Brasil. O maior, o Guarani, situa-se no sul e sudoeste. Tem continuação sobre terras argentinas. Bastante menores, o Urucuia e o Bambui estão mais para leste.

Em qualquer dos casos, retêm-nos as raízes profundas da vegetação do Cerrado, no caso do da Serra Dourada, prolífica, diversificada e com nomes que, com frequência, ainda são os usados pelos indígenas da zona, ou deles derivam.

Dependendo das combinações da sua flora, a Serra Dourada pode abarcar distintos sub-Cerrados. O típico, o Cerradão ou as Veredas.

Serra Dourada, Cerrado, Goiás, Brasil

Estas, escondem água suficiente para irrigar as fantasmagóricas árvores de pau-papel e as distintas palmeiras que, a espaços, nos voltam a encantar.

Além dos buritis, proliferam as babaçus, bacuris, guarirobas, jussaras e outras, em espaços percorridos por onças, por tamanduás-bandeira, tatus ou até lobos-guarás, entre tantos outros.

À distância pode não parecer, mas, o bioma do cerrado está também pejado de árvores de fruta mais baixas e lenhosas com nomes também eles algo surreais, os araticuns, diversos araçás, jabuticabas, goiabas e marmelinhos, mangabas, cajás, gravatás entre tantas, tantas outras.

Encontramos e saboreamos parte delas nas casas de sucos e batidos da Vila Boa. Deliciamo-nos também com o pequi, ingrediente do arroz com pequi de Goiás, uma das especialidades da região.

Orlei, um dos guias de serviço aos visitantes da Vila Boa e do município de Mossâmedes, é filho de Goiás. Conhece um pouco de tudo, incluindo os recantos mais improváveis da Serra Dourada.

Com ele como cicerone, a bordo seu buggy amarelo condizente, deambulamos pela serrania.

Serra Dourada, Cerrado, Goiás, Brasil, guia Orlei

A Cidade de Pedra da Serra Dourada

Metemo-nos no labirinto cinzento da Cidade de Pedra, uma de várias que coexistem neste centro-oeste e noutras áreas mais ou menos distantes do Brasil, como é o caso da dos Pireneus, arredores da vizinha cidade de Pirenópolis.

Lá desvendamos um reduto em que uma base de rocha foi erodida e esculpida pelos agentes naturais com tal critério que legou uma urbe de colunas recortadas, arcos e outras formações caprichosas.

Algumas, menos altas, assemelham-se a vultos.

A Sabotagem Tresloucada da Famosa Pedra Goiana

Outras ainda, colapsaram mas preservam um lugar de destaque no passado de Goiás. É o caso da Pedra Goiana.

Até 11 de Julho de 1965, um enorme monólito áspero, com peso estimado entre as 25 e as 50 toneladas, mantinha-se num equilíbrio natural prodigioso, sobre dois pés diminutos e a 1050 metros de altitude, com acesso complicado, algures entre Goiás e Mossâmedes.

Séria desafiadora da gravidade, a pedra atraía um bom número de visitantes, ávidos por a admirarem e, amiúde, se fazerem fotografar na sua base ou, em pose conquistadora, sobre o topo.

Este outro produto da erosão, único na Serra Dourada resistiu aos sucessivos milénios. Sem que alguém se atrevesse a prevê-lo aniquilou-o a estupidez de jovens de Goiás.

A escritora Ercília Macedo-Eckel era uma séria admiradora da “Pedra que Caiu do Céu”.

Reconhecia-lhe os poderes extraterrestres, imunes “às leis da mudança, da decrepitude e da morte”. Via nela um dos mais sérios simbolismos do deus indígena Goyá, que habitaria as vizinhanças da Serra Dourada.

E como assim homenageou a Pedra Goiana, também se dignou a pôr o dedo na ferida e a apontar a autoria de “uma gangue composta de nove playboys da cidade de Goiás:

Aluizio de Alencastro (Luz da Lua), Joel de Alencastro Veiga (Vequinho), José Alves (Zé Sancha), Sebastião Alves (Tião Sancha), Ailton da Silva Oliveira (“Dentista”), Sebastião Bento de Morais (Bentinho), Nelson Curado Filho (Curê). Luiz Nascimento (Lulu) e Eugênio Brito Jardim (Tatá).

Apesar da abertura, à data, “de um inquérito rigoroso”, a maior parte do grupo tinha familiares ou amigos influentes na cidade. Nenhum deles sofreu punição pelo crime.

Vários tiveram, mais tarde, profissões e cargos de relevo na comunidade de Goiás. Um, foi professor universitário, director de faculdade e de fundação. Um outro, foi servidor da Assembleia Legislativa de Tocantins.

Malgrado as várias posteriores teorizações, a sua atrocidade foi resultado de um desejo de grupo, idiota e possivelmente acachaçado, de protagonismo e notoriedade.

E a Narrativa de Incredulidade da Escritora Ercília Macedo-Eckel

Ercília Macedo-Eckel vai ao ponto de narrar um aviso desafiador que o grupo fez à passagem por um militar: “ Olhe, soldado Miguel, não vá dizer que não avisamos. Estamos indo destronar a Pedra Goiana, de aproximadamente 30 toneladas.

Queremos entrar na História de Goiás, através desse feito original e inimaginável. A ex-capital já não aguenta mais os quebra-quebras promovidos por nós, sob efeito de cachaça ou não…

“Brevemente seremos manchete em Goiás e no Brasil.” “ O Soldado Miguel nem ligou, achou um disparate, conversa de doidos, de bêbados quebradores de baile.”

E, no entanto, o grupo subiu a bordo da pick-up de Alaor Barros Curado, munido de um macaco hidráulico, talvez também de dinamite.

Tal como haviam prometido, em breves instantes, fizeram rolar encosta abaixo e danificaram o monólito que a Natureza tinha demorado mais de 700 milhões de anos a esculpir.

Insatisfeitos com a réplica que ergueram em Goiânia, elementos da Universidade Federal de Goiás e o governo do Estado uniram recentemente esforços para reporem a pedra original de volta no seu lugar.

Até agora, sem resultados.

A Imensidão do Cerrado da Serra Dourada

Sem a podermos admirar, entregamo-nos, de mãos dadas com o mistério, ao restante cenário inverosímil, selvagem e agreste.

Uns nenhures rochosos em que, malgrado o imaginário citadino, qualquer forasteiro incauto se perde em três tempos e se vê em apuros.

Numa primeira impressão imperceptíveis, refrescam-no riachos e lagoas cristalinas que, durante a longa época das chuvas, de Outubro a Março, geram quedas d’água curtas.

Ainda e sempre a bordo do buggy poderoso de Orlei, subimos ao miradouro Urubu-Rei.

Ao entardecer, do cimo panorâmico, percebemos o quão óbvio se torna o nome da serra, com os seus retalhos verdes, amarelados e áureos dispostos como uma manta de retalhos.

Do miradouro do Urubu-Rei serpenteamos, aos solavancos, rumo ao Vale da Areia, um domínio de solo alvo e granulado escondido no meio do planalto.

Na sua iminência, Orlei esclarece-nos com indisfarçável orgulho: “São estas areias e pedras que a Goiandira usava nas pinturas dela.” conta-nos enquanto recolhe amostras do solo. (…)

“Ela vinha de vez em quando à serra procurá-las, nos mesmos locais onde os bandeirantes prospectavam o ouro, como fizeram também em Pirenópolis e tantas outras partes.” (…) “Permanece no seu atelier uma colecção de mais de 500 tons de areia e pigmentos da Serra Dourada.”

Goiandira Ayres do Couto (1915-2011) foi uma artista plástica conterrânea, prima da também já falecida poetisa Cora Coralina.

Mesmo após os seus 90 anos, ainda com muita vitalidade, Goiandira continuou a retratar os casarões e paisagens vilaboenses.

Goiás Velho, Legado da Febre do ouro, Brasil

Morador percorre um recanto típico da cidade sobre um burro.

Para tal, criou uma técnica de pintura própria que patenteou no Rio de Janeiro e que lhe granjeou o reconhecimento internacional: riscava o desenho na tela, aplicava cola e salpicava areia nos dedos.

Quadros da sua autoria decoram a sede da ONU. Estão patentes em museus e integram colecções de grandes personalidades brasileiras e estrangeiras de dezenas de países.

Serra Dourada, Cerrado, Goiás, Brasil

Para desgosto de Orlei, boa parte dessas personalidades – como tantos outros possíveis visitantes da região – ainda desconhecem os motivos retratados pela autora.

O reconhecimento adiado é algo que não perturba demasiado a região.

Como o tempo se esqueceu de Goiás e da Serra Dourada, a Goiás e à Serra Dourada já não custa esperar.

Serra Dourada, Cerrado, Goiás, Brasil, Ocaso

Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Pirenópolis, Brasil

Uma Pólis nos Pirinéus Sul-Americanos

Minas de Nossa Senhora do Rosário da Meia Ponte foi erguida por bandeirantes portugueses, no auge do Ciclo do Ouro. Por saudosismo, emigrantes provavelmente catalães chamaram à serra em redor de Pireneus. Em 1890, já numa era de independência e de incontáveis helenizações das suas urbes, os brasileiros baptizaram esta cidade colonial de Pirenópolis.
Lençois da Bahia, Brasil

A Liberdade Pantanosa do Quilombo do Remanso

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Chapada Diamantina, Brasil

Bahia de Gema

Até ao final do séc. XIX, a Chapada Diamantina foi uma terra de prospecção e ambições desmedidas.Agora que os diamantes rareiam os forasteiros anseiam descobrir as suas mesetas e galerias subterrâneas
Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.
Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por padres portugueses, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações religiosas e pagãs. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Fazenda São João, Miranda, Brasil

Pantanal com o Paraguai à Vista

Quando a fazenda Passo do Lontra decidiu expandir o seu ecoturismo, recrutou a outra fazenda da família, a São João. Mais afastada do rio Miranda, esta outra propriedade revela um Pantanal remoto, na iminência do Paraguai. Do país e do rio homónimo.
Manaus, Brasil

Ao Encontro do Encontro das Águas

O fenómeno não é único mas, em Manaus, reveste-se de uma beleza e solenidade especial. A determinada altura, os rios Negro e Solimões convergem num mesmo leito do Amazonas mas, em vez de logo se misturarem, ambos os caudais prosseguem lado a lado. Enquanto exploramos estas partes da Amazónia, testemunhamos o insólito confronto do Encontro das Águas.

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem uma das maiores manadas do mundo e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.
Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.
Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Ilhabela, Brasil

Ilhabela: Depois do Horror, a Beleza Atlântica

Nocenta por cento de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ilhabela.
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Hidroeléctrica Binacional de Itaipu, Brasil

HidroElétrica Binacional do Itaipu: a Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Rinoceronte, PN Kaziranga, Assam, Índia
Safari
PN Kaziranga, Índia

O Baluarte dos Monocerontes Indianos

Situado no estado de Assam, a sul do grande rio Bramaputra, o PN Kaziranga ocupa uma vasta área de pântano aluvial. Lá se concentram dois terços dos rhinocerus unicornis do mundo, entre em redor de 100 tigres, 1200 elefantes e muitos outros animais. Pressionado pela proximidade humana e pela inevitável caça furtiva, este parque precioso só não se tem conseguido proteger das cheias hiperbólicas das monções e de algumas polémicas.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Igreja colonial de São Francisco de Assis, Taos, Novo Mexico, E.U.A
Arquitectura & Design
Taos, E.U.A.

A América do Norte Ancestral de Taos

De viagem pelo Novo México, deslumbramo-nos com as duas versões de Taos, a da aldeola indígena de adobe do Taos Pueblo, uma das povoações dos E.U.A. habitadas há mais tempo e em contínuo. E a da Taos cidade que os conquistadores espanhóis legaram ao México, o México cedeu aos Estados Unidos e que uma comunidade criativa de descendentes de nativos e artistas migrados aprimoram e continuam a louvar.
Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Aventura
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Verificação da correspondência
Cerimónias e Festividades
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Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
Nova Sintra, Brava, Cabo Verde, panorâmica
Cidades
Nova Sintra, Brava, Cabo Verde

Uma Sintra Crioula, em Vez de Saloia

Quando os colonos portugueses descobriram a ilha de Brava, repararam no seu clima, muito mais húmido que a maior parte de Cabo Verde. Determinados em manterem ligações com a distante metrópole, chamaram a principal povoação de Nova Sintra.
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Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Cultura
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
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Desporto
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A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
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Usbequistão

Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão

Os séculos passaram. As velhas e degradadas estradas soviéticas sulcam os desertos e oásis antes atravessados pelas caravanas da Rota da Seda. Sujeitos ao seu jugo durante uma semana, vivemos cada paragem e incursão nos lugares e cenários usbeques como recompensas rodoviárias históricas.
Espantoso
Étnico

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O Recreio do Belize

Madonna cantou-a como La Isla Bonita e reforçou o mote. Hoje, nem os furacões nem as disputas políticas desencorajam os veraneantes VIPs e endinheirados de se divertirem neste refúgio tropical.

Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

A Vida Lá Fora

Maui, Havai, Polinésia,
História
Maui, Havai

Maui: o Havai Divino que Sucumbiu ao Fogo

Maui é um antigo chefe e herói do imaginário religioso e tradicional havaiano. Na mitologia deste arquipélago, o semi-deus laça o sol, levanta o céu e leva a cabo uma série de outras proezas em favor dos humanos. A ilha sua homónima, que os nativos creem ter criado no Pacífico do Norte, é ela própria prodigiosa.
Roça Sundy, Ilha do Príncipe, Teoria da Relatividade, Vigia
Ilhas
Roça Sundy, Ilha do Príncipe, São Tomé e Príncipe

A Certeza da Teoria da Relatividade

Em 1919, Arthur Eddington, um astrofísico britânico, escolheu a roça Sundy para comprovar a famosa teoria de Albert Einstein. Decorrido mais de um século, o norte da ilha do Príncipe que o acolheu continua entre os lugares mais deslumbrantes do Universo.
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
Sombra vs Luz
Literatura
Quioto, Japão

O Templo de Quioto que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.
Mar Morto, Tona de água, Lugar Mais Baixo Terra, Israel, repouso
Natureza
Mar Morto, Israel

À Tona d’água, nas Profundezas da Terra

É o lugar mais baixo à superfície do planeta e palco de várias narrativas bíblicas. Mas o Mar Morto também é especial pela concentração de sal que inviabiliza a vida mas sustém quem nele se banha.
Menina brinca com folhas na margem do Grande Lago do Palácio de Catarina
Outono
São Petersburgo, Rússia

Dias Dourados que Antecederam a Tempestade

À margem dos acontecimentos políticos e bélicos precipitados pela Rússia, de meio de Setembro em diante, o Outono toma conta do país. Em anos anteriores, de visita a São Petersburgo, testemunhamos como a capital cultural e do Norte se reveste de um amarelo-laranja resplandecente. Num deslumbre pouco condizente com o negrume político e bélico entretanto disseminado.
Mini-snorkeling
Parques Naturais
Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso à Praia de Danny Boyle

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.
Soufrière e Pitons, Saint Luci
Património Mundial UNESCO
Soufrière, Saint Lucia

As Grandes Pirâmides das Antilhas

Destacados acima de um litoral exuberante, os picos irmãos Pitons são a imagem de marca de Saint Lucia. Tornaram-se de tal maneira emblemáticos que têm lugar reservado nas notas mais altas de East Caribbean Dollars. Logo ao lado, os moradores da ex-capital Soufrière sabem o quão preciosa é a sua vista.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Personagens
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Viti Levu, Fiji Ilhas, Pacifico do Sul, recife coral
Praias
Viti Levu, Fiji

Ilhas à Beira de Ilhas Plantadas

Uma parte substancial de Fiji preserva as expansões agrícolas da era colonial britânica. No norte e ao largo da grande ilha de Viti Levu, também nos deparámos com plantações que há muito só o são de nome.
Peregrinos no cimo, Monte Sinai, Egipto
Religião
Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo de Israel. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.
Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre Carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Salão de Pachinko, video vício, Japão
Sociedade
Tóquio, Japão

Pachinko: o Vídeo – Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.
O projeccionista
Vida Quotidiana
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
Parque Nacional Etosha Namíbia, chuva
Vida Selvagem
PN Etosha, Namíbia

A Vida Exuberante da Namíbia Branca

Um salar vasto rasga o norte namibiano. O Parque Nacional Etosha que o envolve revela-se um habitat árido, mas providencial, de incontáveis espécies selvagens africanas.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.