Lençois da Bahia, Brasil

A Liberdade Pantanosa do Quilombo do Remanso


Moldura
António do Remanso caminha em frente à Fazenda Velha.
Maré de nenúfares
Visitantes atravessam o pantantal Marimbus.
De barco em barco
Nativo do Remanso na doca da povoação sobre o pantanal Marimbus.
António do Remanso
António, um dos muitos descendentes dos escravos que, no século XIX, fugiram de sanzalas da região.
Reflexo fluvial
Grupo percorre a margem de um dos rios que delimitam o Marimbus.
Ninfeias
Folhas de nenúfares, uma das plantas predominantes do pantanal Marimbus.
Sorriso de alívio
Apicultor do Remanso já liberto da máscara que o faz suar sob o sol tropical da região.
Duche natural
Visitante da Chapada Diamantina refresca-se numa poça do rio Roncador.
Fazenda Velha
A casa principal da Fazenda Velha, situada numa das extremidades do território histórico dos quilombos que deram origem ao Remanso.
Oferta adocicada
Apicultor do Remanso protegido a rigor das abelhas oferece favos de mel a visitantes do Marimbus.
Rio cor de café
Adolescente do Remanso banha-se numa lagoa escura do rio Roncador.
De novo entre nenúfares
Remador Tiago conduz visitantes pelos canais do pantanal Marimbus.
Desembarque
Guias do Remanso António e Tiago preparam-se para arrastar a canoa, num trecho demasiado raso do rio Roncador.
Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Apesar do fim da prospecção mineira e da escravatura, algumas das gentes de Lençóis da Bahia mantiveram-se à parte da evolução, perdidas no tempo, fiéis à história. Não foi só o caso dos quilombos.

Foi o caso dos garimpeiros, uma classe hoje isolada da sociedade local que mantém representantes solitários a viver e a trabalhar em condições precárias nos leitos dos rios e riachos mas também povoações que agrupam descendentes dos antigos prospectores.

Barqueiro, Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Nativo do Remanso na doca da povoação sobre o pantanal Marimbus.

É o caso de Estiva, um vilarejo perdido no meio da imensa catinga do interior da Bahia. E foi também o que se passou com Remanso, uma comunidade que sucedeu a distintos quilombos antes disseminados nesta zona remota e isolada dos arredores de Lençóis da Bahia.

As Origens Austeras e Seculares da Comunidade Quilombola do Remanso

Seja ou não verdade, diz-se que o primeiro destes quilombos foi originado por um escravo que liderou uma fuga temerária de uma senzala através do pantanal de Marimbus, estima-se que, na altura, bem mais repleto de jacarés, piranhas e anacondas que agora – o que há muito frustrava qualquer tentativa de evasão.

António do Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

António do Remanso caminha em frente à Fazenda Velha.

Esse e outros escravos, terão ficado entregues à sua sorte. Obrigaram índias então ainda existentes na zona a viverem e a procriarem com eles. Com frequência, surgiam outros quilombos após os fugitivos resistirem a tentativas de recaptura, numa era pós-colonial em que a sua desobediência escandalizava muito mais a população livre e abastada que o arrastar da escravatura.

Quando chegamos ao Remanso, um destes cafuzos, conhecido por António do Remanso passou a guiar-nos naquele cenário baiano exótico em que cresceu. “Com certeza!”

É com a popular expressão abrasileirada e um forte sotaque sertanejo que nos responde a quase todas as perguntas e confirma a maioria das nossas observações.

António exibe uma suavidade de trato pouco comum no género masculino que nos pareceu, de imediato, estar associada aos seus traços andrógenos raros, por aqueles lados.

Foi este anfitrião que nos indicou a canoa escolhida de entre dezenas ancoradas à entrada do Marimbus e que, apoiado por Tiago, um colega de ofício bem mais másculo e musculado, deu início à navegação.

À Descoberta do Pantanal do Marimbus, Chapada Diamantina

O Marimbus ocupa uma vasta (1250km²) área alagada entre Lençóis da Bahia e Andaraí. É alimentado por três rios. Esconde algumas lagoas interligadas em que, abrigadas por papiro (localmente chamado de marimbus ou peri) a restante flora e uma fauna mista da Mata Atlântica e da Amazónia proliferam .

A embarcação de madeira zarpa com a lotação esgotada. O peso exagerado exige esforço redobrado aos remadores.

Barco sobrelotado, Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Visitantes atravessam o pantantal Marimbus.

Mesmo assim, lá avançamos aos poucos, a romper um denso manto verde formado por distintas plantas aquáticas, embelezado por centenas de nenúfares, pelo menos até o sol tropical (o Trópico de Capricórnio atravessa a Chapada Diamantina) fazer as suas flores coloridas recolherem.

Tínhamos como primeiro objectivo uma tal de Fazenda Velha. O tempo do percurso para a atingir multiplicou-se muito para lá do previsto, isto, com a concordância dos guias que nunca se escusaram a parar ou a desviar-se da rota para nos mostrarem os espécimes animais e vegetais mais exuberantes ou apenas interessantes.

Uma hora e meia, muitos meandros sem visibilidade depois, demos com um braço de um rio. Ali, a pouca profundidade obriga-nos a encalhar a canoa na beira e prosseguir a pé o pouco que restava, ao longo do leito arenoso e avermelhado do Roncador.

Rio Roncador, Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Grupo percorre a margem de um dos rios que delimitam o Marimbus.

Regressados a terra, metemo-nos num trilho de mato cerrado. Prendado com a sombra de um cajueiro e com o sumo açucarado dos frutos que todos partilhamos, António aproveita para dissertar sobre o passado do Remanso e as crenças e rituais afro-brasileiros que subsistiam na comunidade.

Ao conjugamos as suas palavras com as de vários outras figuras da aldeia, inteiramo-nos de como tudo se terá passado.

De Manézinho ao Guia António do actual Remanso

A povoação, em si, foi fundada por Manoel da Silva – Manézinho do Remanso (hoje com 73 anos), pelo irmão Inocêncio e por três primos mais as respectivas famílias, em 1942. A história da ocupação escrava daquele confins, essa, é muito anterior. “Meu bisavô era índio e foi ‘pegado’ no mato a dente de cachorro”, habituou-se o próprio Manézinho a contar a quem chega de fora. “Na senzala, ele se casou com a minha bisavó, que ainda veio de África” (cálculos feitos, supostamente no início do século XIX).

Retrato António do Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

António, um dos muitos descendentes dos escravos que, no século XIX, fugiram de sanzalas da região.

“Aqui, somos todos primos e filhos de primos que casaram com primos”. “Meu avô era pescador e, de pai para filho, todo o mundo era pescador”, esclarece o ancião. “ No começo, a vida era difícil. A gente pescava tucunarés e crumatás, guardava os peixes num viveiro e, no dia de feira, prendia tudo pelo boca num cambão (vara de madeira), saíamos ainda de noite, a pé, para vender lá em Lençóis”.

As décadas passaram. O Remanso adornou-se com as primeiras modernidades, incluindo uma TV a cores ligada a uma antena de satélite que atraía toda a comunidade em redor dos episódios das novelas mais populares.

A aldeia permaneceu muito tempo sem benefício de uma rede social e de infra-estruturas erguida quase apenas em Lençóis, desprovida de escolas, centros de saúde ou do que quer que fosse.

Os habitantes queixam-se ainda de que, apesar de estarem numa terra abençoada no que diz respeito à sua beleza e fertilidade, o Remanso, o Marimbus e o Rio Roncador não providenciam empregos e obrigam muitos dos seus filhos a migrar para Lençóis e outras paragens bem mais distantes do Brasil.

Banho no rio Roncador do Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Visitante da Chapada Diamantina refresca-se numa poça do rio Roncador.

Os Trunfos Turísticos do Pantanal do Marimbus e do Rio Roncador

Nos últimos tempos, a aldeia começou, por fim, a beneficiar do vigor turístico crescente da Chapada Diamantina.

A comunidade cobra, agora, entradas aos forasteiros que a visitam e ao Marimbus. Os guias são remunerados pelas pequenas agências instaladas em Lençóis.

Esse desafogo, com os proveitos adicionais das roças, da pesca e da criação de mel – mas também de outras artes e ofícios – permitiram a vários nativos regressar e, senão prosperar, pelo menos sustentar as suas famílias.

Navegação Marimbus do Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Remador Tiago conduz visitantes pelos canais do pantanal Marimbus.

A auto-estima indígena do Remanso provém, em grande parte, da consciência das origens marginais da comunidade.

Quando as famílias se unem para celebrar o que quer que seja, essas origens  abençoadas por orixás, patuás e babalorixás ficam bem patentes ao som dos tambores, do berimbau, do reco-reco que dão o ritmo à capoeira dos mais jovens e aos cânticos de inspiração tribal e africana.

Regressamos à Fazenda Velha. Admiramos o seu encanto de “Sitio do Pica-Pau Amarelo” isolado antes de um almoço baiano revigorante.

Fazenda Velha, Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

A casa principal da Fazenda Velha, situada numa das extremidades do território histórico dos quilombos que deram origem ao Remanso.

O caminho de regresso cumpriu-se contra a corrente. Provou-se também bastante mais doce.

No meio do pantanal, cruzamo-nos com dois apicultores conhecidos de António e Tiago, em plena recolha.

Completada uma acostagem suave e alguma conversa bem disposta, os nativos sumidos em fatos e máscaras protectores brancos que os mantinham em destilação, prendam-nos com favos ainda ensopados de mel.

Oferta de mel no Marimbus, Remanso, Comunidade Quilombola Marimbus, Lençóis, Chapada Diamantina

Apicultor do Remanso protegido a rigor das abelhas oferece favos de mel a visitantes do Marimbus.

Pouco depois, a noite tomava já conta do Marimbus, ancoramos de volta no Remanso e regressamos à civilização pós-colonial de Lençóis da Bahia.

Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Barra a Kunta Kinteh, Gâmbia

Viagem às Origens do Tráfico Transatlântico de Escravos

Uma das principais artérias comerciais da África Ocidental, a meio do século XV, o rio Gâmbia era já navegado pelos exploradores portugueses. Até ao XIX, fluiu pelas suas águas e margens, boa parte da escravatura perpetrada pelas potências coloniais do Velho Mundo.
Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

Casario

Lares Doces Lares

Poucas espécies são mais sociais e gregárias que a humana. O Homem tende emular outros lares doces lares do mundo. Alguns desses casarios revelam-se impressionantes.
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem uma das maiores manadas do mundo e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.
Chapada Diamantina, Brasil

Bahia de Gema

Até ao final do séc. XIX, a Chapada Diamantina foi uma terra de prospecção e ambições desmedidas.Agora que os diamantes rareiam os forasteiros anseiam descobrir as suas mesetas e galerias subterrâneas
Fort-de-France, Martinica

Liberdade, Bipolaridade e Tropicalidade

Na capital da Martinica confirma-se uma fascinante extensão caribenha do território francês. Ali, as relações entre os colonos e os nativos descendentes de escravos ainda suscitam pequenas revoluções.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Ilhabela, Brasil

Ilhabela: Depois do Horror, a Beleza Atlântica

Nocenta por cento de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ilhabela.
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Hidroeléctrica Binacional de Itaipu, Brasil

HidroElétrica Binacional do Itaipu: a Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.
Cataratas Iguaçu/Iguazu, Brasil/Argentina

O Troar da Grande Água

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.
Goiás Velho, Brasil

Vida e Obra de uma Escritora à Margem

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Leão, elefantes, PN Hwange, Zimbabwe
Safari
PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Luderitz, Namibia
Arquitectura & Design
Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.
Totems, aldeia de Botko, Malekula,Vanuatu
Aventura
Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula.
Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Cerimónias e Festividades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
A Casa Oswald Hoffman, património arquitectónico de Inhambane.
Cidades
Inhambane, Moçambique

A Capital Vigente de uma Terra de Boa Gente

Ficou para a história que um acolhimento generoso assim fez Vasco da Gama elogiar a região. De 1731 em diante, os portugueses desenvolveram Inhambane, até 1975, ano em que a legaram aos moçambicanos. A cidade mantém-se o cerne urbano e histórico de uma das províncias mais reverenciadas de Moçambique.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Tabatô, Guiné Bissau, Balafons
Cultura
Tabatô, Guiné Bissau

Tabatô: ao Ritmo do Balafom

Durante a nossa visita à tabanca, num ápice, os djidius (músicos poetas)  mandingas organizam-se. Dois dos balafonistas prodigiosos da aldeia assumem a frente, ladeados de crianças que os imitam. Cantoras de megafone em riste, cantam, dançam e tocam ferrinhos. Há um tocador de corá e vários de djambés e tambores. A sua exibição gera-nos sucessivos arrepios.
Desporto
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Passagem, Tanna, Vanuatu ao Ocidente, Meet the Natives
Étnico
Tanna, Vanuatu

Daqui se Fez Vanuatu ao Ocidente

O programa de TV “Meet the Natives” levou representantes tribais de Tanna a conhecer a Grã-Bretanha e os E.U.A. De visita à sua ilha, percebemos porque nada os entusiasmou mais que o regresso a casa.
Portfólio, Got2Globe, melhores imagens, fotografia, imagens, Cleopatra, Dioscorides, Delos, Grécia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

O Terreno e o Celestial

Casa Menezes Bragança, Chandor, Goa, India
História
Chandor, Goa, Índia

Uma Casa Goesa-Portuguesa, Com Certeza

Um palacete com influência arquitectónica lusa, a Casa Menezes Bragança, destaca-se do casario de Chandor, em Goa. Forma um legado de uma das famílias mais poderosas da antiga província. Tanto da sua ascensão em aliança estratégica com a administração portuguesa como do posterior nacionalismo goês.
Parque Terra Nostra, Furnas, São Miguel, Açores, Portugal
Ilhas
Vale das Furnas, São Miguel

O Calor Açoriano do Vale das Furnas

Surpreendemo-nos, na maior ilha dos Açores, com uma caldeira retalhada por minifúndios agrícolas, massiva e profunda ao ponto de abrigar dois vulcões, uma enorme lagoa e quase dois mil micaelenses. Poucos lugares do arquipélago são, ao mesmo tempo, tão grandiosos e acolhedores como o verdejante e fumegante Vale das Furnas.
Igreja Sta Trindade, Kazbegi, Geórgia, Cáucaso
Inverno Branco
Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbek (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Literatura
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Monte Lamjung Kailas Himal, Nepal, mal de altitude, montanha prevenir tratar, viagem
Natureza
Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Menina brinca com folhas na margem do Grande Lago do Palácio de Catarina
Outono
São Petersburgo, Rússia

Dias Dourados que Antecederam a Tempestade

À margem dos acontecimentos políticos e bélicos precipitados pela Rússia, de meio de Setembro em diante, o Outono toma conta do país. Em anos anteriores, de visita a São Petersburgo, testemunhamos como a capital cultural e do Norte se reveste de um amarelo-laranja resplandecente. Num deslumbre pouco condizente com o negrume político e bélico entretanto disseminado.
Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil, cachoeira Véu de Noiva
Parques Naturais
Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil

No Coração Ardente da América do Sul

Foi só em 1909 que o centro geodésico sul-americano foi apurado por Cândido Rondon, um marechal brasileiro. Hoje, fica na cidade de Cuiabá. Tem nas imediações, os cenários deslumbrantes mas demasiado combustíveis da Chapada dos Guimarães.
Ruínas, Port Arthur, Tasmania, Australia
Património Mundial UNESCO
À Descoberta de Tassie,  Parte 2 - Hobart a Port Arthur, Austrália

Uma Ilha Condenada ao Crime

O complexo prisional de Port Arthur sempre atemorizou os desterrados britânicos. 90 anos após o seu fecho, um crime hediondo ali cometido forçou a Tasmânia a regressar aos seus tempos mais lúgubres.
Ooty, Tamil Nadu, cenário de Bollywood, Olhar de galã
Personagens
Ooty, Índia

No Cenário Quase Ideal de Bollywood

O conflito com o Paquistão e a ameaça do terrorismo tornaram as filmagens em Caxemira e Uttar Pradesh um drama. Em Ooty, constatamos como esta antiga estação colonial britânica assumia o protagonismo.
Barco e timoneiro, Cayo Los Pájaros, Los Haitises, República Dominicana
Praias
Península de Samaná, PN Los Haitises, República Dominicana

Da Península de Samaná aos Haitises Dominicanos

No recanto nordeste da República Dominicana, onde a natureza caribenha ainda triunfa, enfrentamos um Atlântico bem mais vigoroso que o esperado nestas paragens. Lá cavalgamos em regime comunitário até à famosa cascata Limón, cruzamos a baía de Samaná e nos embrenhamos na “terra das montanhas” remota e exuberante que a encerra.
Peregrinos no cimo, Monte Sinai, Egipto
Religião
Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo de Israel. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre Carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
cowboys oceania, Rodeo, El Caballo, Perth, Australia
Sociedade
Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.
Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Parque Nacional Etosha Namíbia, chuva
Vida Selvagem
PN Etosha, Namíbia

A Vida Exuberante da Namíbia Branca

Um salar vasto rasga o norte namibiano. O Parque Nacional Etosha que o envolve revela-se um habitat árido, mas providencial, de incontáveis espécies selvagens africanas.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.