Corvo, Açores

O Abrigo Atlântico Inverosímil da Ilha do Corvo


Corvo à Vista
Ilha do Corvo vista do semi-rígido que assegurou temporariamente a ligação entre Santa Cruz das Flores e a Vila do Corvo.
Vista sobre o Caldeirão
Visitante da ilha do Corvo admira o Caldeirão.
Num pasto inclinado
Trio de jovens vacas pastam numa ladeira à beira da Lagoa do Caldeirão.
Atlântico vs Vila do Corvo
Enseada abaixo da Vila do Corvo.
Moinhos do corvo
Moinhos pitorescos no limiar da Vila do Corvo.
Ordenha à moda antiga
Sr. Rogério ordenha uma das suas vacas à mão.
Pasto inclinado II
Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.
Anoitecer sobre o Grupo Ocidental
Noite cai sobre a Vila do Corvo e a ilha das Flores.
Modo de Espera
Cão do sr. Rogério aguarda pelo regresso do dono, nessa altura, ocupado com uma demorada ordenha manual. Estorninhos esvoaçam no céu acima.
Retalhos de Açores
Muros e sebes dividem a encosta leste da Ilha do Corvo abaixo do Caldeirão.
Os Lares do Corvo
Sector do casario da Vila do Corvo com a Igreja da Nª Srª dos Milagres à esquerda.
O Pasto do Caldeirão
Vacas devoram o pasto tenro do fundo do Caldeirão da ilha do Corvo.
A Postos
Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.
Ocaso para lá do Corvo
Sol põe-se a ocidente da ilha do Corvo.
17 km2 de vulcão afundado numa caldeira verdejante. Uma povoação solitária assente numa fajã. Quatrocentas e trinta almas aconchegadas pela pequenez da sua terra e pelo vislumbre da vizinha Flores. Bem-vindo à mais destemida das ilhas açorianas.

Se acaso subsistissem dúvidas quanto à excepcionalidade insular do Corvo, a viagem a partir de Santa Cruz das Flores tratou de as erradicar.

Pouco mais de um ano antes, um dos furacões que se formam a oeste da costa ocidental africana tomou um rumo inesperado. Em vez de evoluir na direcção das Américas, apontou a norte. Nos primeiros dias de Outubro, o “Lorenzo” rasou o Grupo Ocidental dos Açores já enfraquecido da intensidade máxima de três dias antes.

Passou junto à ilha das Flores e ao Corvo com rajadas que ultrapassaram os 160 km/h. Nas Flores, a ventania e as vagas causaram danos substanciais no porto das Lajes. Também acabaram com a lancha “Ariel” que, até ao Agosto anterior, assegurara a ligação à Vila do Corvo.

Ao descermos a escadaria para o embarcadouro, com o sol a despertar a leste, algumas gruas ainda finalizavam a reconstrução do porto. Da “Ariel” nem sinal. Em vez, encontramos um semi-rigido, raso mas com motores poderosos.

O mar estava bravo, cavado por vagas vigorosas que castigavam o porto.

Por algum tempo, ainda esperámos que aparecesse um ferry a sério, uma embarcação que nos impressionasse pela sua dimensão, não pela potência dos motores. Em vão.

Somos dos primeiros a embarcar. O timoneiro dá ordem que da proa para a popa. Ficamos mais expostos do que desejávamos.

À primeira vista, a saída do porto parecia o trecho complicado por excelência. Mal deixamos a projecção marinha das Flores, as vagas aumentam, mudam de padrões. Sujeitam-nos uma navegação semi-acrobática.

Ilha do Corvo, Açores

Ilha do Corvo vista do semi-rígido que assegurou temporariamente a ligação entre Santa Cruz das Flores e a Vila do Corvo.

Ilha do Corvo à Vista

Assim mesmo, 45 minutos de saltos entre os baixos e os cimos vertiginosos do Atlântico depois, damos entrada no molhe da Vila do Corvo, capital e povoação única da menor das ilhas açorianas.

Aceitamos uma boleia partilhada com outros três passageiros. Já instalados na pousada, a cada novo minuto, sentíamos agravar-se a ansiedade de ascendermos àquele que era, por excelência, o domínio natural mágico da ilha: o seu Caldeirão.

“Mas querem ir já?” pergunta-nos o Sr. Noel, quando lhe ligamos a pedir um serviço de táxi. “Assim que possa, por favor. Mas porquê, não lhe dá jeito agora?” questionamo-lo. “Estou aí em dez minutos. É só porque vim de lá há pouco e estava tudo fechado.” Mas costuma fechar mais à tarde?” “Não, aquilo lá em cima nunca se sabe. Muda em minutos.” esclarece-nos. “Olhe, vamos já e logo se vê. Daqui, vemos as nuvens a deslizarem a grande velocidade. Devem haver uns intervalos de sol.”

Dito e feito. Enquanto subimos, o Sr. Noel aconselha-nos a não nos aventurarmos pela orla. Com razões fundadas. As nuvens e o vento fustigavam o cimo do Caldeirão. No seu lado oeste, as falésias da caldeira mediam 718 metros acima do oceano. Eram, aliás, uma das elevações costeiras supremas do Atlântico do Norte.

A Visão do Deslumbrante Caldeirão do Corvo

Noel deixa-nos no miradouro do Caldeirão, junto ao início do trilho que a ligava ao fundo. E ao lado de um jipe dos bombeiros da Vila do Corvo, sem sinal de ocupantes mas, tudo indicava, estacionado a postos para socorrer caminhantes acidentados.

Na direcção contrária, o vendaval húmido irrigava a vertente da ilha virada ao oceano, retalhada por minifúndios ondulados.

Ao contrário do que receávamos, àquela hora, as nuvens pouco ou nada entravam no Caldeirão.

Cedemos à tentação. Caminhamos para norte do cimo da orla, curiosos quanto a se não nos revelaria um panorama ainda mais grandioso.

O improviso dura o que dura. Percebemos que estávamos ao nível da caravana de nuvens e que a névoa nos roubava os cenários. Quando descemos para dela nos livrarmos, debatemo-nos com o manto vegetal espesso que ali cobre o solo, feito de tufos de plantas briófitas, musgoso e ensopado.

Fartos das suas armadilhas e rasteiras, regressamos ao miradouro resignados a inaugurar a caminhada em redor do fundo do Caldeirão.

Caldeirão da Ilha do Corvo, Açores,

Visitante da ilha do Corvo admira o Caldeirão.

Por fim, a Longa Caminhada de Circum-Caldeirão

Cumprimos uma série dos meandros do trilho.

Até que a visão de umas poucas vacas a pastarem quase no cimo da vertente interior nos sugere fotografias especiais e incita a nova caminhada improvisada, ao longo, e acima e abaixo da curva da orla.

Ilha do Corvo, Açores, vacas pastam no Caldeirão

Vacas de raças sortidas pastam pela encosta interior do Caldeirão do Corvo acima.

Mesmo desprezados pelos bovídeos entregues ao pasto tenro sem fim, lá fazemos as nossas fotos.

Ilha do Corvo, Açores, vaca no Caldeirão

Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.

Regressamos ao trilho. Os ziguezagues descendentes aproxima-nos de um muro em L.  E, à laia visual de Ngorongoro açoriano, de uma grande manada multicolor de vacas dispersa pelo ervado aquém da margem arredondada da Lagoa do Caldeirão.

A espaços, manchas de azul destoavam do tecto nevoento da caldeira. Surgiam como bênçãos solares que geravam projecções verde-douradas no declive norte da cratera e que faziam resplandecer a superfície da lagoa.

Ilha do Corvo, Açores, vacas pastam no Caldeirão

Vacas devoram o pasto tenro do fundo do Caldeirão da ilha do Corvo.

Prosseguimos trilho fora. Entre as vacas. Logo, pela margem lamacenta da grande lagoa.

Chegados ao ocidente da caldeira, vemo-nos de frente para a versão murada da sua vertente, também ela dividida em fracções geométricas por muros de pedra vulcânica cobertas de líquenes.

E a Ainda Mais Longa Caminhada de Regresso à Vila do Corvo

Quase duas horas de caminhada fotográfica depois, estávamos de volta aos esses que conduziam ao cimo do miradouro. Mesmo se as pernas se ressentiam da ladeira, forçamo-nos a um regresso pedestre à Vila do Corvo.

Aproximamo-nos de um trio de ribeiras que a Estrada do Caldeirão obriga a uma passagem subterrânea: a Riba da Ponte, a do Cerrado das Vacas e a da Lapa.

Por ali, apercebemo-nos de uma profusão de figueiras e de outras árvores de fruto, disputada pela maior e mais barulhenta colónia de estorninhos que testemunhámos em muitos anos de viagem.

Não serão os estorninhos a sua principal atracção. O Corvo é idolatrada pelos observadores de pássaros deste mundo. Vistas bem as coisas, até o próprio nome da ilha, estima-se que adaptado do que já constava em mapas genoveses do século XIV, Insula Corvi Marini, o justifica.

Lá abundam aves residentes, terrestres e marinhas. A escala de muitas outras, parte das rotas migratórias entre a Europa e a América do Norte fazem da ilha um destino ornitólogo de excelência.

A riqueza animal do Corvo também reside nos seus espécimes pecuários. Umas centenas de metros abaixo, espantamo-nos com o porte massivo de alguns porcos instalados num curral remediado. Nas imediações, confrontamo-nos com um bode surpreendido pela nossa súbita aparição.

Quanto mais descemos, mais nos embrenhamos na faceta rural da ilha.

Ilha do Corvo, Açores, retalhos rurais

Muros e sebes dividem a encosta leste da Ilha do Corvo abaixo do Caldeirão.

A Confraternização Rural com o Sr. Rogério Rodrigues

Junto à confluência da estrada com a Riba da Lapa, reingressamos num seu domínio bovino. Não obstante três ou quatro minifúndios pelo meio, apercebemo-nos de que um corvino transportava bilhas metálicas, na direcção de quatro vacas de raças sortidas, isoladas entre muros e sebes.

Beneficiários de infâncias no campo, sabíamos o quanto as tarefas do campo tinham evoluído desde os longínquos anos 80. Custava-nos a acreditar que, mesmo na remota ilha do Corvo, as vacas ainda fossem ordenhadas à mão.

Decididos a esclarecer o enigma, metemo-nos no caminho entremuros que conduzia àquele cimo. Apresentamo-nos. Pedimos desculpa pela invasão. O sr. Rogério dá-nos as boas-vindas, põe-nos à vontade e, enquanto manuseia as tetas de uma vaca frísia, esclarece-nos. “Pois, numa situação normal não o estaria a fazer. Mas calhou só ter que ordenhar estas quatro. Mesmo mais rápido e fácil com a máquina, o trabalho que dá lavá-la em seguida não compensa.”

Ilha do Corvo, Açores, ordenha manual

Sr. Rogério ordenha uma das suas vacas à mão

Ficamos à conversa uma boa meia-hora. Com paciência de santo, o sr. Rogério continua a responder-nos. Dá-nos um curso intensivo da criação de vacas e produção de leite na ilha do Corvo: as vantagens de criar vacas frísias ou Holstein por comparação, por exemplo, com as Jersey e as Guernsey, o teor de gordura no leite e o seu valor, entre tantos outros ensinamentos que retivemos para todo o sempre.

O Trecho Derradeiro e o Anoitecer Mágico da Vila do Corvo

Por nós, teríamos ficado mais umas horas naquele delicioso convívio mas, não tarda, iria escurecer e inda estávamos longe da Vila do Corvo.

Despedimo-nos. Voltamos à Estrada do Caldeirão sob a supervisão do cão do Sr. Rogério que nos acompanhou da caixa-trono da também já sua pick up, interessado, sobretudo, num rápido retorno do dono.

Cão ilha do Corvo, Açores

Cão aguarda pelo regresso do corvino Sr. Rogério de uma demorada ordenha manual.

Atingimos o ponto panorâmico sobranceiro face à fajã, com o sol prestes a assentar no ocidente atlântico sem fim. Dali mesmo, contemplamos o ocaso e o lusco-fusco que sempre o confirma.

Vemos as luzinhas cor-de-fogo da Vila do Corvo iluminarem o seu casario, apertado na ponta sul da ilha, entre a vertente do vulcão e a pista quase anfíbia do aeroporto. Vislumbramos ainda o cintilar longínquo de alguns candeeiros das Flores, sob um céu arroxeado de chuva.

Vila do Corvo, Açores

Noite cai sobre a Vila do Corvo e a ilha das Flores.

Seguimos directos para um já urgente jantar. Após o que nos deixamos dormir, embalados pelo ribombar soporífero do Atlântico.

Vila do Corvo. Capital e única Povoação da Ilha do Corvo

O sol outonal da manhã incita-nos a despacharmos o pequeno-almoço em três tempos e voltarmos a sair.

Guiados pela torre da Igreja da Nª Srª dos Milagres, seguimos directos para a Rua da Matriz. De onde passamos para o varandim sobre o porto, a enseada pedregosa e com vista privilegiada para o casario que se estendia pela encosta íngreme acima.

Vila do Corvo, Açores

Enseada abaixo da Vila do Corvo.

Caminhamos pelas suas ruelas e canadas, intrigados pelas linhas do mini-veículo amarelo do lixo, não nos espantaríamos se soviéticas.

Desviamos para uma tal de rua do Rego. Paredes meias com a escarpa que encerra a povoação, um painel de azulejo ilustra um episódio mais memorável que tantos outros da história do Corvo.

Na gravura azul e branca, benzidos por uma figura da Nª Senhora, corvinos ancestrais lançam grandes calhaus falésia abaixo, sobre invasores infiéis recém-desembarcados.

A imagem alerta-nos para o facto de, ao longo da colonização da sua ilha, os Corvinos terem vencido adversidades bem mais sérias que o mero isolamento.

Casario da Vila do Corvo, Açores

Sector do casario da Vila do Corvo com a Igreja da Nª Srª dos Milagres à esquerda.

A Descoberta e a Colonização Atribulada da Ilha do Corvo

O Corvo e as Flores foram descobertas por Diogo de Teive, no regresso da sua expedição à Terra Nova, de 1452. Daí em diante, o imponente Monte do Caldeirão passou a servir de Norte aos navegadores.

A tentativa de colonização pioneira só se deu mais de um século depois, por cerca de trinta habitantes da Terceira. Tanto essa como a seguinte terminaram com abandonos forçados.

A bem-sucedida, só foi conseguida, em 1548, quando Gonçalo de Sousa, capitão donatário do actual Grupo Ocidental recebeu permissão da Coroa para a iniciar com escravos – crê-se que oriundos de Santo Antão, Cabo Verde, mais tarde, colocados ao serviço de camponeses e criadores de gado já com provas dadas.

Moinhos da Vila do Corvo, Açores

Moinhos pitorescos no limiar da Vila do Corvo.

Durante a segunda metade do século XVI e XVII, como ilustrava o painel de azulejo, o Corvo viu-se vítima de ataques e saques perpetrados por piratas da Barbária.

Quando nem estes ataques demoveram os corvinos de continuarem na sua ilha, percebeu-se que a tinham colonizado em definitivo, com toda a alma e coração.

Esse sentimento de pertença, a par da exuberância natural e vulcânica, fazem do Corvo uns Açores ainda mais especiais.

Do Corvo, regressámos às Flores. Uns dias depois, ao aterrarmos na Graciosa, completámos a nossa descoberta particular do arquipélago.

Ilha das Flores, Açores

Os Confins Atlânticos dos Açores e de Portugal

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Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

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São Miguel, Açores

Ilha de São Miguel: Açores Deslumbrantes, Por Natureza

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
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Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
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Ilha Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. São apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da ilha Terceira ímpar não têm conta.
Horta, Açores

A Cidade que Dá o Norte ao Atlântico

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Vulcão dos Capelinhos, Faial, Açores

Na Pista do Mistério dos Capelinhos

De uma costa da ilha à opostoa, pelas névoas, retalhos de pasto e florestas típicos dos Açores, desvendamos o Faial e o Mistério do seu mais imprevisível vulcão.
Graciosa, Açores

Sua Graça a Graciosa

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Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Castro Laboreiro, Portugal  

Do Castro de Laboreiro à Raia da Serra Peneda - Gerês

Chegamos à (i) eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Sistelo, Peneda-Gerês, Portugal

Do "Pequeno Tibete Português" às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo a Arcos de ValdeVez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de Pequeno Tibete Português. Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras da Peneda-Gerês.
Campos de Gerês -Terras de Bouro, Portugal

Pelos Campos do Gerês e as Terras de Bouro

Prosseguimos num périplo longo e ziguezagueante pelos domínios da Peneda-Gerês e de Bouro, dentro e fora do nosso único Parque Nacional. Nesta que é uma das zonas mais idolatradas do norte português.
Montalegre, Portugal

Pelo Alto do Barroso, Cimo de Trás-os-Montes

Mudamo-nos das Terras de Bouro para as do Barroso. Com base em Montalegre, deambulamos à descoberta de Paredes do Rio, Tourém, Pitões das Júnias e o seu mosteiro, povoações deslumbrantes do cimo raiano de Portugal. Se é verdade que o Barroso já teve mais habitantes, visitantes não lhe deviam faltar.
Porto Santo, Portugal

Louvada Seja a Ilha do Porto Santo

Descoberta durante uma volta do mar tempestuosa, Porto Santo mantem-se um abrigo providencial. Inúmeros aviões que a meteorologia desvia da vizinha Madeira garantem lá o seu pouso. Como o fazem, todos os anos, milhares de veraneantes rendidos à suavidade e imensidão da praia dourada e à exuberância dos cenários vulcânicos.
Pico do Arieiro - Pico Ruivo, Madeira, Portugal

Pico Arieiro ao Pico Ruivo, Acima de um Mar de Nuvens

A jornada começa com uma aurora resplandecente aos 1818 m, bem acima do mar de nuvens que aconchega o Atlântico. Segue-se uma caminhada sinuosa e aos altos e baixos que termina sobre o ápice insular exuberante do Pico Ruivo, a 1861 metros.
Paul do Mar a Ponta do Pargo a Achadas da Cruz, Madeira, Portugal

À Descoberta da Finisterra Madeirense

Curva atrás de curva, túnel atrás de túnel, chegamos ao sul solarengo e festivo de Paul do Mar. Arrepiamo-nos com a descida ao retiro vertiginoso das Achadas da Cruz. Voltamos a ascender e deslumbramo-nos com o cabo derradeiro de Ponta do Pargo. Tudo isto, nos confins ocidentais da Madeira.
Vereda Terra Chã e Pico Branco, Porto Santo

Pico Branco, Terra Chã e Outros Caprichos da Ilha Dourada

No seu recanto nordeste, Porto Santo é outra coisa. De costas voltadas para o sul e para a sua grande praia, desvendamos um litoral montanhoso, escarpado e até arborizado, pejado de ilhéus que salpicam um Atlântico ainda mais azul.
São Jorge, Açores

De Fajã em Fajã

Abundam, nos Açores, faixas de terra habitável no sopé de grandes falésias. Nenhuma outra ilha tem tantas fajãs como as mais de 70 da esguia e elevada São Jorge. Foi nelas que os jorgenses se instalaram. Nelas assentam as suas atarefadas vidas atlânticas.
Fiéis saúdam-se no registão de Bukhara.
Cidade
Bukhara, Uzbequistão

Entre Minaretes do Velho Turquestão

Situada sobre a antiga Rota da Seda, Bukhara desenvolveu-se desde há pelo menos, dois mil anos como um entreposto comercial, cultural e religioso incontornável da Ásia Central. Foi budista, passou a muçulmana. Integrou o grande império árabe e o de Gengis Khan, reinos turco-mongois e a União Soviética, até assentar no ainda jovem e peculiar Uzbequistão.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
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O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

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Reserva Masai Mara, Viagem Terra Masai, Quénia, Convívio masai
Safari
Masai Mara, Quénia

Reserva Masai Mara: De Viagem pela Terra Masai

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.
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Ainda com Moçâmedes como ponto de partida, viajamos em busca das areias do Namibe e do Parque Nacional Iona. A meteorologia do cacimbo impede a continuação entre o Atlântico e as dunas para o sul deslumbrante da Baía dos Tigres. Será só uma questão de tempo.
Via Conflituosa
Património Mundial UNESCO
Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem a Via Dolorosa, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.
Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Cabo Ledo Angola, moxixeiros
Praias
Cabo Ledo, Angola

O Cabo Ledo e a Baía do Regozijo

A apenas a 120km a sul de Luanda, vagas do Atlântico caprichosas e falésias coroadas de moxixeiros disputam a terra de musseque. Partilham a grande enseada forasteiros rendidos ao cenário e os angolanos residentes que o mar generoso há muito sustenta.
Santo Sepulcro, Jerusalém, igrejas cristãs, sacerdote com insensário
Religião
Basílica Santo Sepúlcro, Jerusalém, Israel

O Templo Supremo das Velhas Igrejas Cristãs

Foi mandada construir pelo imperador Constantino, no lugar da Crucificação e Ressurreição de Jesus e de um antigo templo de Vénus. Na génese, uma obra Bizantina, a Basílica do Santo Sepúlcro é, hoje, partilhada e disputada por várias denominações cristãs como o grande edifício unificador do Cristianismo.
De volta ao sol. Cable Cars de São Francisco, Vida Altos e baixos
Sobre Carris
São Francisco, E.U.A.

Cable Cars de São Francisco: uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
city hall, capital, oslo, noruega
Sociedade
Oslo, Noruega

Uma Capital (sobre) Capitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.
Visitantes nas ruínas de Talisay, ilha de Negros, Filipinas
Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Tartaruga recém-nascida, PN Tortuguero, Costa Rica
Vida Selvagem
PN Tortuguero, Costa Rica

Uma Noite no Berçário de Tortuguero

O nome da região de Tortuguero tem uma óbvia e antiga razão. Há muito que as tartarugas do Atlântico e do Mar das Caraíbas se reunem nas praias de areia negro do seu estreito litoral para desovarem. Numa das noites que passamos em Tortuguero assistimos aos seus frenéticos nascimentos.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.