Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe


A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Assim que deixa para trás o continente sul-americano, o elegante Twin Otter encontra um céu salpicado de pequenas nuvens.

Aqui e ali, perfura-as.

Seiscentos quilómetros depois, a nebulosidade intensifica-se e encobre o arquipélago de Juan Fernández. Deixa descobertas algumas arestas de terra que o piloto reconhece sem hesitações.

A pista surge apertada entre as nuvens e o topo dos penhascos de Robinson Crusoe. Apesar do vento forte, o piloto conduz o avião à terra batida com suavidade.

Aterragem iminente, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Avião faz-se à pista elevada de Robinson Crusoe, com início no topo de um enorme penhasco.

Onde detém o avião, uma bandeira esvoaçante desfaz qualquer dúvida que a distância e a estranheza do terreno pudessem levantar. Regressávamos a solo chileno.

Bandeira Chilena, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Uma bandeira do Chile assinala a posse chilena de um arquipélago situado a mais de 600km da costa do Chile

O aeródromo fica num lado da ilha. San Juan Bautista, a povoação onde se concentram os seus quinhentos habitantes, fica noutro. A impossibilidade de cumprir o caminho por terra obriga a um translado pelo mar. Além de lento, complicado.

O velho jipe ferrugento que assegura a ligação ao barco recusa-se a pegar.

Quando pega, porque é o único veículo disponível, tem que cumprir várias viagens de ida e volta, cada uma mais arrastada que anterior.

De empurrão, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Habitantes de Robinson Crusoe tentam dar vida ao jipe que faz a ligação entre o aeródromo e a Bahia del Padre.

Como se não bastasse, a ondulação é forte. Atira a embarcação em que devíamos prosseguir contra o molhe da Bahia del Padre.

A agitação gera sucessivas discussões entre a tripulação.

Em redor, dezenas de leões-marinhos nadam inquietos. Parecem analisar o frenesim.

Quando o barco por fim zarpa, seguem-no por algumas centenas de metros, como que a assegurar a integridade do seu território.

Bahia del Padre, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Uma enseada circular quase fechada de Robinson Crusoe, partilhada por leões-marinhos e pescadores.

As desventuras ainda estavam por terminar. A apenas cinco minutos de atingir o destino, o barco imobiliza-se. A tripulação percebe que vem a perder combustível desde que embateu num dos pilares do molhe da Bahia del Padre.

Em Robinson Crusoe, tudo se resolve.

Em três tempos, do nada, aparece uma pequena embarcação que, a grande esforço, nos reboca.

A reboque, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Traineira que faz a ligação entre a Baía del Padre e San Juan Bautista é rebocada por um barco mais pequeno após ser danificada pela ondulação.

A chegada à vila é atribulada mas apoteótica. Dezenas de ilhéus acenam ansiosos pelos reencontros com os familiares, ou tão só entusiasmados pelo renovar das gentes. Começamos, a desvendar uma peculiar forma de vida.

Sobre o molhe, os moradores pescam à linha e puxam da água, peixe atrás de peixe. Ao largo, embarcações diminutas descarregam caixotes de lagosta acabada de capturar.

Contribuem assim para a principal exportação da ilha.

Lagostão, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Pescador mostra uma das muitas lagostas pescadas ao largo do arquipélago Juan Fernandez.

Robinson Crusoe envia todos os anos, muitas toneladas destes crustáceos para o continente chileno.

As suas remessas tornaram-se de tal maneira importantes que a Lassa – a companhia aérea que opera os voos de e para Valparaíso e Santiago – lhes reserva metade do espaço dos seus aviões.

Quando escrevemos metade, referimo-nos a todo um dos lados da cabine.

Como pudemos testemunhar, nessas ocasiões, as cadeiras são removidas. E o espaço disponibilizado é preenchido por caixotes que tresandam a marisco.

Espaço para lagostas, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Auxiliares removem cadeiras de um avião prestes a descolar para o continente chileno para terem espaço para transportar caixotes de lagostas.

O mar sempre se revelou generoso para os locais. Dá-lhes que fazer e alimenta-os. Anula as razões mais óbvias para se saturarem de vez do isolamento de Robinson Crusoe.

A 600 km do litoral da América do Sul, esta é uma separação que nem o passar dos séculos nem a modernização do Chile conseguiram ainda resolver.

Ilha Robinson Crusoe: dos Piratas ao Caçador de Tesouros

Assim que nos instalamos, damos início à exploração da ilha.

Acompanham-nos os guias e instrutores de mergulho Pedro Niada e Marco Araya Torres, um casal de franceses recém-chegado e Toni um barcelonense estudante ERASMUS de Biologia, há já algum tempo na ilha.

Saímos com o propósito de desbravar o litoral rude e de mergulhar com os leões-marinhos, uma das espécies endémicas locais, agora em plena recuperação da matança sistemática levada a cabo por caçadores de vários países até ao início do século XIX.

Briga de Leões-marinhos, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Leões-marinhos debatem-se pelo território rochoso no sopé de uma enorme falésia.

O percurso para as colónias dos “lobos” (como lhes chamam em Robinson Crusoe) revela o esplendor vulcânico dos cenários contrastantes que mudam consoante a orientação e a exposição aos ventos húmidos do Pacífico.

Temos também tempo para uma paragem estratégica na Baía do Inglês.

Ali, Pedro Niada introduz-nos a história de George Anson, o marinheiro que baptizou a baía onde se formou o povoado pirata de Cumberland e deu ao vale contíguo o seu nome.

Explicações de Pedro Niada, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Guia Pedro Niada explica diversas pistas que parecem confirmar a presença de tesouros escondidos em Robinson Crusoe.

Explica-nos que Anson escondeu na baía um tesouro de valor incalculável e que já foram muitos os que o tentaram desenterrar. Em vão.

Adianta-nos ainda que Bernard Keiser, um milionário norte-americano, continua a tentar. Niada tinha acompanhado Bernard Keiser em várias das suas épocas de trabalho.

Com paciência e eloquência, à laia de documentário, o guia chileno percorre a enseada e elucida-nos sobre cada marca na rocha, cada medida e pista deixada pelos piratas com referência a pedras com formas curiosas, riachos ou árvores.

A narração deixa-nos ainda mais fascinados pela ilha. E algo desiludidos por estarmos em pleno semestre de restrição às escavações de Kaiser, uma restrição imposta pelo governo chileno.

O Arquipélago Exuberante de Juan Fernández

Deixamos a Baía do Inglês. Seguimos ao longo de uma costa batida pelo mar agitado que só acalma quando nos deparamos com a enseada dos leões-marinhos.

Contacto visual, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Visitante e leão-marinho observam-se frente a frente.

Detectado um recanto suficientemente tranquilo para o mergulho, equipamo-nos. Logo, saltamos para a água.

Em três tempos, vêmo-nos cercados por crias e adultos frenéticos que não resistem à curiosidade, nos desafiam e chegam a morder-nos as barbatanas como que a tentar perceber de que espécie somos.

Por questões de calendário relacionadas com os voos e com as limitações impostas pelo transporte de lagosta, não temos o tempo que queríamos para descobrir a ilha. De acordo, após algumas viagens pelo litoral, decidimos passar a explorá-la para o interior, por trilhos quase sempre íngremes.

Trilho do Mirador, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Visitante desce um trilho íngreme numa zona elevada de Robinson Crusoe.

Quando caminhamos pelo âmago recortado de Robinson Crusoe, deslumbra-nos a sua flora fascinante, enriquecida por espécies endémicas. Só por si, as paisagens despertam um enorme fascínio. Mas o interesse de Robinson Crusoe e das suas irmãs vai muito além dos panoramas.

A quantidade de espécies animais e vegetais autóctones e a geologia dramática na base dos seus ecossistemas, atraem, há muito, ao arquipélago inúmeros cientistas.

Colibri de Juan Fernandez, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Colibri de Juan Fernandez, uma ave endémica cada vez mais rara do arquipélago.

Como causa e consequência, em 1977, a UNESCO declarou-a uma Reserva Mundial da Biosfera, representativa da Região Oceânica da Polinésia do Sudeste.

O Verdadeiro Robinson Crusoe

A personagem chave da ilha Robinson Crusoe chegou muito antes. Estava pouco interessado na fauna e na flora. Sem quase ter tido tempo de perceber como ou porquê, passou a delas depender. A peripécia ficou para a posteridade como um dos momentos mais excêntricos da navegação corsária britânica.

À imagem das ilhas próximas – Alexander Selkirk e Santa Clara – Robinson Crusoe foi descoberta em 1574, por Juan Fernández, um navegador castelhano de família portuguesa.

Vislumbre da ilha, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Brecha num manto de nuvens revela um recanto da ilha Robinson Crusoe.

Pouco depois, o arquipélago a que Fernández deu nome transformou-se num porto de abrigo preferido dos piratas que atacavam os galeões carregados de ouro e pedras preciosas destinados a Cartagena das Índias e a outras paragens do vasto império hispânico.

Em 1704, fundeou na baía de Cumberland, o “Cinque Ports“, um navio corsário inglês.

Tinha como capitão William Dampier, um criador de mapas admirado mas considerado inapto para liderar embarcações repletas de homens rudes e conflituosos nos mares mais perigosos até então conhecidos.

A Obsessão Tresloucada de William Dampier

Obcecado por saquear os navios espanhóis e portugueses que contornavam a costa oeste da América do Sul, Dampier insistiu, contra o bom senso e a vontade dos seus marinheiros, em contornar o temido Cabo Horn durante o Inverno Austral, a época do anos em que as tempestades ali são mais frequentes e ameaçadoras.

Por três vezes tentou o feito. Em todas, o navio foi afastado para longe da rota e sofreu danos avultados. Quando a tripulação que já padecia de escorbuto, ameaçou revoltar-se, o contramestre, o escocês Alexander Selkirk alertou Dampier.

Este, recusou-se a dar ouvidos. Em vez, manobrou o “Cinque Ports” uma vez mais para sul do Cabo Horn, sempre à mercê de um mar traiçoeiro.

A sorte estava do lado do capitão. Mesmo danificado, o navio lá conseguiu passar do Atlântico para o Pacífico. Então, Dampier conduziu-o a Masatierra (a actual Robinson Crusoe) para que os seus homens pudessem recuperar da travessia.

San Juan Bautista, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

A principal povoação do arquipélago Juan Fernández, abrigada numa enseada virada a sul, foi muito afectada por um tsunami gerado pelo sismo que assolou o Chile em 2010.

O Abandono Auto-Ditado de Alexander Selkirk

Selkirk esperava que Dampier ordenasse uma reparação geral do “Cinque Ports“. Dampier continuava ansioso e queria zarpar o quanto antes. Convencido de que o navio não iria aguentar mais tempestades, o contramestre Selkirk exigiu ser deixado na ilha. Farto das suas confrontações. Dampier fez-lhe a vontade.

Selkirk voltou uma derradeira vez ao barco. Levou para terra o seu colchão, uma espingarda, pólvora e balas, tabaco, um machado e uma faca, uma bíblia, instrumentos de navegação e alguns livros. Pensou estaria bem preparado para o que estimava ser uma curta espera.

No momento decisivo, à medida que o barco a remos se afastava da costa de Masatierra, Selkirk ainda foi assolado pela dúvida e correu para a borda da água para chamar de volta os companheiros.

Forçados pelo capitão a ignorá-lo, os remadores continuaram em direcção ao “Cinque Ports”.  Selkirk ficou a ver o navio desaparecer no horizonte.

A sua solidão duraria quatro anos e quatro meses.

A Sobrevivência Desesperante de Alexander Selkirk

Nesse tempo, alimentou-se de cabras que tinham escapado de outros barcos e colonizado a ilha. Bem como do seu leite, de frutas e de vegetais que os espanhóis tinham plantado anos antes.

A paisagem circundante era, à sua maneira, paradisíaca e proliferavam nascentes de água doce.

Apesar de beneficiar de um relativo bem-estar sobrevivente, Selkirk ansiou, desde o primeiro minuto, pela chegada de uma embarcação que o salvasse. Subia, várias vezes por dia, aos pontos mais altos da ilha onde ficava a perscrutar o horizonte.

Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Um dos panoramas perscrutado por Alexander Selkirk vezes sem conta em busca de navios

Passaram-se meses sem que o Pacífico lhe trouxesse novidades.

Tratou, então, de se instalar com mais condições. Construiu uma cabana com troncos que forrou com peles de cabra. Mais tarde, mudou-se para o interior de uma gruta.

Onde quer que estivesse, Selkirk mantinha uma fogueira acesa no exterior, esperançado de que alguém avistasse o fumo.

A sua longa solidão só terminou no início de 1709 quando avistou o “Duque”, o navio que o levaria de volta à Grã-Bretanha.

O piloto deste navio era William Dampier, o ex-capitão do “Cinque Ports” que o havia votado àquele longo e cruel abandono.

Cumprido o regresso, a aventura de Alexander Selkirk correu as docas, tabernas e estalagens da velha Albion. Incluía trechos tão mágicos como danças e cantorias com cabras amestradas sob a luz da lua.

Tornou-se de tal forma famosa que inspirou Daniel Dafoe a escrever “As Incríveis e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoe” com base numa personagem fictícia e passado nas Caraíbas.

Nos Passos do Marinheiro Abandonado

Ao jeito de homenagem, de maneira aproveitar o potencial turístico da relação entre Alexander Selkirk e Robinson Crusoe, este último seria adaptado como o nome actual da ilha. Foi o escolhido pelos habitantes para substituir Masatierra, usado, até então, por a ilha ser a mais próxima do continente sul-americano.

Deixamos para o fim o percurso doloroso que conduzia ao Miradouro de Selkirk.

A cavalo, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Nativo desce a cavalo do miradouro de Selkirk para o litoral de San Juan Bautista.

Após dois quilómetros de curvas e contracurvas sempre íngremes, o caminho avança sob autênticos túneis de vegetação densa.

Logo depois, revela-nos o posto de vigia de Selkirk, celebrado na aresta elevada da montanha por uma placa de bronze explicativa.

Selkirk, Na Pele de Robinson Crusoe, Alexander Selkirk, Chile

Sobrenome do marinheiro que ficou abandonado na principal ilha do arquipélago Juan Fernández e inspirou o romance de Daniel Dafoe.

Dali, cansados e fustigados pelo vento, observamos, deliciados, a beleza fascinante de Robinson Crusoe, reforçada pelas vertentes verdejantes dos montes em redor e pela língua de terra inóspita que se prolonga para sul das Tres Puntas.

No que a terra diz respeito, a vista terminava na distante Isla de Santa Clara, a menor das ilhas de Juan Fernández.

Santa Clara é a ilha “vizinha” que Alexander Selkirk se habituou a contemplar dia após dia.

Ilha de Santa Clara, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Nuvem paira sobre a pequena ilha de Santa Clara.

Até à passagem do “Duke” a embarcação que o resgatou, mas que nunca resgatou Robinson Crusoe.

Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
PN Torres del Paine, Chile

A Mais Dramática das Patagónias

Em nenhuma outra parte os confins austrais da América do Sul se revelam tão arrebatadores como na cordilheira de Paine. Ali, um castro natural de colossos de granito envolto de lagos e glaciares projecta-se da pampa e submete-se aos caprichos da meteorologia e da luz.
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
Rapa Nui - Ilha da Páscoa, Chile

Sob o Olhar dos Moais

Rapa Nui foi descoberta pelos europeus no dia de Páscoa de 1722. Mas, se o nome cristão ilha da Páscoa faz todo o sentido, a civilização que a colonizou de moais observadores permanece envolta em mistério.
Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites do Deserto de Atacama

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.
Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
El Tatio, Chile

Géiseres El Tatio - Entre o Gelo e o Calor do Atacama

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio, no Deserto de Atacama surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4200 m de altitude. Os seus géiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes.
San Pedro de Atacama, Chile

São Pedro de Atacama: a Vida em Adobe no Mais Árido dos Desertos

Os conquistadores espanhóis tinham partido e o comboio desviou as caravanas de gado e nitrato. San Pedro recuperava a paz mas uma horda de forasteiros à descoberta da América do Sul invadiu o pueblo.
Vulcão Villarrica, Chile

Ascensão à Cratera do Vulcão Villarrica, Sempre em Actividade

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.
Pucón, Chile

Entre as Araucárias de La Araucania

A determinada latitude do longilíneo Chile, entramos em La Araucanía. Este é um Chile rude, repleto de vulcões, lagos, rios, quedas d’água e das florestas de coníferas de que brotou o nome da região. E é o coração de pinhão da maior etnia indígena do país: a Mapuche.
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Hipopótamo move-se na imensidão alagada da Planície dos Elefantes.
Safari
Parque Nacional de Maputo, Moçambique

O Moçambique Selvagem entre o Rio Maputo e o Índico

A abundância de animais, sobretudo de elefantes, deu azo, em 1932, à criação de uma Reserva de Caça. Passadas as agruras da Guerra Civil Moçambicana, o PN de Maputo protege ecossistemas prodigiosos em que a fauna prolifera. Com destaque para os paquidermes que recentemente se tornaram demasiados.
Jovens percorrem a rua principal de Chame, Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 1º - Pokhara a ChameNepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
hacienda mucuyche, Iucatão, México, canal
Arquitectura & Design
Iucatão, México

Entre Haciendas e Cenotes, pela História do Iucatão

Em redor da capital Mérida, para cada velha hacienda henequenera colonial há pelo menos um cenote. Com frequência, coexistem e, como aconteceu com a semi-recuperada Hacienda Mucuyché, em duo, resultam nalguns dos lugares mais sublimes do sudeste mexicano.

Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Aventura
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Cerimónias e Festividades
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Palácio de Cnossos, Creta, Grécia
Cidades
Iraklio, CretaGrécia

De Minos a Menos

Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Big Freedia e bouncer, Fried Chicken Festival, New Orleans
Cultura
New Orleans, Luisiana, Estados Unidos

Big Freedia: em Modo Bounce

New Orleans é o berço do jazz e o jazz soa e ressoa nas suas ruas. Como seria de esperar, numa cidade tão criativa, lá emergem novos estilos e actos irreverentes. De visita à Big Easy, aventuramo-nos à descoberta do Bounce hip hop.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Em Viagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Étnico
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Portfólio, Got2Globe, melhores imagens, fotografia, imagens, Cleopatra, Dioscorides, Delos, Grécia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

O Terreno e o Celestial

Do lado de cá do Atlântico
História

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

Em espera, Mauna Kea vulcão no espaço, Big Island, Havai
Ilhas
Mauna Kea, Havai

Mauna Kea: um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
Na pista de Crime e Castigo, Sao Petersburgo, Russia, Vladimirskaya
Literatura
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Recompensa Kukenam
Natureza
Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima

Perduram no cimo do Monte Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.
Menina brinca com folhas na margem do Grande Lago do Palácio de Catarina
Outono
São Petersburgo, Rússia

Dias Dourados que Antecederam a Tempestade

À margem dos acontecimentos políticos e bélicos precipitados pela Rússia, de meio de Setembro em diante, o Outono toma conta do país. Em anos anteriores, de visita a São Petersburgo, testemunhamos como a capital cultural e do Norte se reveste de um amarelo-laranja resplandecente. Num deslumbre pouco condizente com o negrume político e bélico entretanto disseminado.
Espectáculo Impressions Lijiang, Yangshuo, China, Entusiasmo Vermelho
Parques Naturais
Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos.
Ao fim da tarde
Património Mundial UNESCO
Ilha de Moçambique, Moçambique  

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Viti Levu, Fiji Ilhas, Pacifico do Sul, recife coral
Praias
Viti Levu, Fiji

Ilhas à Beira de Ilhas Plantadas

Uma parte substancial de Fiji preserva as expansões agrícolas da era colonial britânica. No norte e ao largo da grande ilha de Viti Levu, também nos deparámos com plantações que há muito só o são de nome.
Rocha Dourada de Kyaikhtiyo, Budismo, Myanmar, Birmania
Religião
Monte Kyaiktiyo, Myanmar

A Rocha Dourada e em Equilíbrio de Buda

Andamos à descoberta de Rangum quando nos inteiramos do fenómeno da Rocha Dourada. Deslumbrados pelo seu equilíbrio dourado e sagrado, juntamo-nos à peregrinação já secular dos birmaneses ao Monte Kyaiktyo.
De volta ao sol. Cable Cars de São Francisco, Vida Altos e baixos
Sobre Carris
São Francisco, E.U.A.

Cable Cars de São Francisco: uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
saksun, Ilhas Faroé, Streymoy, aviso
Vida Quotidiana
Saksun, StreymoyIlhas Faroé

A Aldeia Faroesa que Não Quer ser a Disneylandia

Saksun é uma de várias pequenas povoações deslumbrantes das Ilhas Faroé, que cada vez mais forasteiros visitam. Diferencia-a a aversão aos turistas do seu principal proprietário rural, autor de repetidas antipatias e atentados contra os invasores da sua terra.
Penhascos acima do Valley of Desolation, junto a Graaf Reinet, África do Sul
Vida Selvagem
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.