Terra do Fogo, Argentina

Uma Fazenda no Fim do Mundo


Picos Gémeos
Picos afiados da Cordilheira Martial, no limiar dos Andes.
Canal WC
Small WC of the Harberton Estancia over the Beagle Channel.
Coroa da estancia
Edifício no cimo de um dos outeiro em que assenta a vasta propriedade.
Curiosidade
Passageiros de catamara observam a colónia de pinguins da ilha Martillo, nas imediações da estancia Harberton.
Fim da viagem
Embarcação aproxima-se de um cais da estancia Harberton,
Floresta morta
Árvores mortas pela inundação do rio Larsiparsabk.
Árbole bandera
Uma lenga inclinada pelo vento forte prevalecente desta região da Terra do Fogo
Furgoneta-ferrugem
Velha carrinha Power Wagon estacionada sobre a erva da estancia Harberton.
Picos Gémeos
Picos afiados da Cordilheira Martial, no limiar dos Andes.
Depósito de peles
Pilha de peles de ovelha guardados num velho armazém da estancia Harberton.
Pinguinagem
Pinguins da ilha Martilho, alguns exemplares de uma comunidade bem mais vasta às margens do Canal Beagle.
Turfeira excêntrica
Uma de várias turfeiras às margens semi-inundadas do rio Larsiparsabk.
Castoreira-Tierra-de-fuego-Argentina
Árvores mortas e seus troncos, um dos habitats preferidos dos castores da zona.
Decoração óssea
Esqueleto de Cetáceo no limiar da Estancia Harberton.
Pato indeciso
Pato prestes a fazer-se às águas gélidas do Canal Beagle.
Secagem ao natural
Pele de cordeiro seca sob o sol ténue das latitudes quase antárcticas das estancia Harberton.
Turfeira excêntrica
Uma de várias turfeiras às margens semi-inundadas do rio Larsiparsabk.
Em, 1886, Thomas Bridges, um órfão inglês levado pela família missionária adoptiva para os confins do hemisfério sul fundou a herdade anciã da Terra do Fogo. Bridges e os descendentes entregaram-se ao fim do mundo. Hoje, a sua Estancia Harberton é um deslumbrante monumento argentino à determinação e à resiliência humana.

O percurso que cumprimos só vem reforçar a noção de quão estranha e extrema é a presença de Ushuaia neste confins quase Antárcticos. Bastam uns poucos quilómetros da ruta 3 para o casario da última das cidades dar lugar à natureza crua da Terra do Fogo.

A via começa por se internar na faixa de Argentina espartilhada entre o grande Lago Fagnano (a norte) e o Canal Beagle (a sul).

Cordilheira Martial, Tierra del Fuego, Argentina

Picos afiados da Cordilheira Martial, no limiar dos Andes.

Aproveita uma abertura mais ampla na sequência quebrada dos Montes Martial e apanha boleia da planura fluvial do Larsiparsabk, um rio que nasce no sopé da cordilheira e se contorce vezes sem conta até que, uns 60 km para leste, desagua no Beagle.

A Viagem de Ushuaia, ao Longo do excêntrico rio Larsiparsabk

Alimentado pelo degelo constante dos picos nevados, o curso do Larsiparsabk é pouco contido. Aqui e ali, extravasa sobre a lisura exuberante em redor. Irriga turfeiras multicolores e pântanos repletos de troncos ressequidos de florestas que sucumbiram a sucessivas inundações.

Turfeira junto ao rio Larsiparsabk, Tierra del Fuego, Argentima

Uma de várias turfeiras às margens semi-inundadas do rio Larsiparsabk.

Têm o seu quê de extraterrestre as terras por que nos movemos.

Confrontados com a abundância de castores e dos diques que os roedores incansáveis com eles erguem, os moradores chamaram-lhes castoreras. A influência dos animais na nomenclatura da região não se fica por aí. Uns quilómetros para diante, passamos na base de um tal de Cerro Castor. Chegámos no Outono destas paragens austrais.

Os primeiros nevões estão por dias. Mais para diante no ano, o Castor e as suas vertentes brancas irão transformar-se em resort de desportos de Inverno e entreter as gentes esquiadoras da região.

Repetem-se as turfeiras. Sucedem-se os pauis e os charcos, ora a norte ora a sul dos meandros descontrolados do Larsiparsabk. Vemo-los ensoparem a paisagem e o percurso até que, a determinada altura, a ruta 3 dá lugar à Ruta Provincial J. Toca um braço do Canal Beagle e volta a internar-se no já quase bico de bota da Terra do Fogo.

Pequena floresta morta

Árvores mortas pela inundação do rio Larsiparsabk.

As arboles Bandera como prenúncio da estancia Harberton

Os cenários mudam. Em vez dos excessos aquáticos, é uma inesperada aridez ventosa que os torna inóspitos. Sentimos as rajadas vindas do Pacífico varrerem o cimo de um alto suave.

São os ventos de há muito, os vendavais milenares constantes que tornam infernal a navegação de leste para oeste a sul do Cabo Horn, logo abaixo no mapa, os mesmo que valorizaram a passagem protegida de quase 600 km que Fernão de Magalhães achou e navegou em 1520.

A força destes ventos é tal que os arbustos pouco se desenvolvem e a erva tem um tom de amarelo desmaiado. Daquele ermo rejeitado pela comum vegetação, algumas lengas (nothofagus pumilio) intrépidas fizeram a sua nação. Saímos do carro. Apreciamo-las com a atenção que nos mereciam.

Árbole bandera, Tierra del Fuego, Argentina

Uma lenga inclinada pelo vento forte prevalecente desta região da Terra do Fogo

Em vez de hirtas, estas árvores submetem-se ao vento e fazem os troncos e galhos crescerem na horizontal, como longos penteados laterais em sustentação. Os argentinos tratam-nas por árboles banderas. Traduzem na perfeição o mote dos colonizadores pioneiros da Terra do Fogo: vergar sim. Nunca quebrar. Estávamos na iminência do mais antigo e notório dos exemplos.

A Ruta J serpenteia por alguns quilómetros adicionais. Contorna outros dois braços de mar do Canal Beagle. Entramos numa península retorcida. Encontramos, por fim, a Estancia Harberton na costa oriental dessa península, mais abrigada do vento, se é que isso existe nestas paragens.

Estancia Harberton, Tierra del Fuego, Argentina

Edifício no cimo de um dos outeiro em que assenta a vasta propriedade.

Por fim a Remota Estancia Harberton

Nuvens arroxeadas pela humidade passam a grande velocidade sobre os prados verdejantes. Filtram a luz já de si suave daquelas latitudes extremas e emprestam ao lugar uma atmosfera bucólica que nos parece anestesiar os sentidos.

Nos seus tempos áureos, muitos milhares de ovelhas salpicavam os pastos e garantiam rendimentos nunca sonhados pelos proprietários.

Desde há duas décadas, Tommy Goodall – o tetraneto do fundador – seguiu a onda que invadiu a última das cidades e converteu a estancia ao turismo. Conservou apenas alguns exemplares de ovinos com o fim de recriar o passado e mostrar aos visitantes as técnicas ancestrais de pastoreio e tosquia.

Armazém de peles, estancia Harberton, Tierra del Fuego, Argentina

Pilha de peles de ovelha guardados num velho armazém da estancia Harberton.

O Súbito Declínio da Era Ovina

Espreitamos para dentro de uma janela com vidros partidos. No interior sombrio, vislumbramos uma grande pilha de peles lanzudas. Cá fora, junto a uma paliçada que serve de curral, uma outra pele, ainda ensanguentada, contrasta com a erva viçosa em que assenta.

Em vez dos ovinos antes abundantes, gansos e patos assumiram o protagonismo faunístico da estancia. Cirandam, elegantes e soberbos. De tal forma comprometidos com o lugar que nem a nossa aproximação os faz mudar de rumo.

Passado, não tarda, um século e meio, os edifícios (casa, celeiro, estábulo, vedações) todos de madeira ou chapa pintada, coroam a paisagem como que a celebrar o triunfo da obstinação sobre a crueza dos elementos. Também um velho camião Power Wagon verde-enferrujado resiste, estacionado num tempo bem distante do dos seus melhores dias.

Carrinha Power Wagon na estancia Harberton, Tierra del Fuego, Argentina

Velha carrinha Power Wagon estacionada sobre a erva da estancia Harberton.

Thomas Brides: missionário e fazendeiro pioneiro

Thomas Bridges, o fundador da estancia foi o primeiro a instalar uma fazenda nos confins da Terra do Fogo. Mas não foi o primeiro a levar a sua vida para a província.

Em 1869, missionários da South America Mission Society britânica fixaram-se na região com propósitos estritamente religiosos. Waite Hockin Stirling, o pioneiro, chegou por sua conta e estabeleceu-se entre os indígenas Yamaná. Outros se lhe juntaram. Thomas Bridges foi um deles.

A história de Bridges não podia ser mais insólita. Ainda bebé, foi encontrado abandonado junto a uma ponte, em Inglaterra, e viu-se adoptado por um missionário. Em 1856, com apenas 13 anos, Bridges foi levado pela sua família adoptiva para as ilhas Falkland (Malvinas), para participar no estabelecimento de uma estação missionária agrícola.

Barco prestes a atracar na estancia Harberton, Tierra del Fuego, Argentina

Embarcação aproxima-se de um cais da estancia Harberton,

Naquele arquipélago austral, aprendeu a falar yaghan, o dialecto dos nativos da Terra do Fogo, muitos deles entretanto deslocados para as Falkland para serem treinados em distintos trabalhos.

Por altura da sua primeira viagem à Terra do Fogo, em 1863, Bridges já comunicava com os nativos. Essa sua virtude foi crucial no assentamento de uma nova missão anglicana em Ushuaia. Num ápice, estimulada por alguns casamentos, a população aumentou. A primeira criança europeia a nascer na colónia, foi um dos filhos de Thomas Bridges.

O Papel Fulcral dos Bridges no Assentamento de Missionários e outros colonos

Os Bridges mantiveram sempre um papel fulcral na integração dos recém-chegados entre os indígenas. Uma das divisões da primeira casa que construíram em Ushuaia foi, aliás, ocupada por um casal Yamaná.

Mas a era de proselitismo tranquilo de Ushuaia não durou o que os Bridges e restantes pioneiros contavam. A partir de 1880 propagaram-se rumores de que os campos em redor de Ushuaia eram ricos em ouro.

Inúmeros prospectores, auxiliares, negociantes e suas famílias afluíram à cidade apenas para se desiludirem. Uns anos mais tarde, começou a ser construído o Ferrocarril Austral Fueguino, hoje denominado Tren del Fin del Mundo.

Em 1884, Bridges acolheu a primeira das expedições argentinas oficiais à Terra do Fogo, levada a cabo com o fim de lá instituir uma subperfeitura.

Decorridos apenas dois anos, em jeito de recompensa pelo seu trabalho com os nativos, pelo apoio a marinheiros naufragados nas imediações do Cabo Horn e a cientistas, exploradores e a outros colonos, recebeu do Congresso Nacional Argentino um talhão de terra e a cidadania argentina.

O Abandono do Proselitismo e o Retiro Rural na Longínqua Harberton

Em desacordo com a missão anglicana que o enviara para o Novo Mundo, demitiu-se das suas funções para se estabelecer numa estancia. Chamou-lhe Harberton, segundo o nome da vila inglesa em que nascera a sua esposa.

Quando por lá passámos, a propriedade pertencia a Will e Lucas, bisnetos de Thomas Bridges. Era gerida por Thomas D. Goodall, um outro bisneto (4ª geração).

Este e a sua família habitavam a casa original dos Bridges, erguida com óbvia influência arquitectónica das cottages de campo britânicas, com excepção para os ossos de maxilar de baleia dispostos em “A” a fazerem de pórtico e para outros, de partes distintas dos cetáceos que encontramos à beira do Canal Beagle, em jeito de decoração de jardim.

Continuamos a desvendar Harberton. Contornamos uma esquina. Do lado de lá, sobre um alpendre atafulhado de utensílios agrários e pecuários, um funcionário septuagenário munido de um facão corta grandes bocados de carne e prende-os a ganchos pendurados do tecto.

Pele de cordeiro seca ao sol na estancia Harberton, Tierra del Fuego, Argentino

Pele de cordeiro seca sob o sol ténue das latitudes quase antárcticas das estancia Harberton.

Nas imediações, um outro corta lenha e aumenta a pilha gigantesca com que as gentes de Harberton se aquecerão nos meses vindouros.

A Incrível Resiliência dos Bridges nos Confins da Terra do Fogo

É coisa séria o Inverno da Terra do Fogo. De um momento para o outro a temperatura mergulha para -20º (ou para menos) enquanto o vento chicoteia a paisagem sem misericórdia. A meteorologia poder revelar-se de tal maneira agreste que, sobretudo os visitantes argentinos e chilenos, conhecedores do clima dos fundos dos seus países, se espantam ao constatar que alguém ali decidiu assentar arraiais.

E ao ver como a família Brigdes não só sobreviveu como prosperou, malgrado surtos de febre tifóide, períodos em que a cotação da lã entrou em queda livre, roubo de gado e ataques de cães selvagens. E, apesar de um Inverno em particular, mais recente, tão frio que exterminou 80% do gado e incentivou a aposta da família no turismo há já bom tempo prodigioso em Ushuaia e um pouco por toda a Terra do Fogo.

Incursão pinguinera à Ilha Martillo e um Regresso Diluviano a Ushuaia

Também a Ilha Martillo, situada diante da estancia, se tornou uma atracção. É lar de uma vasta colónia de pinguins-de-Magalhães. Dizem-nos que começaram a instalar-se na praia pouco depois de os rebanhos desaparecerem dos pastos em redor. Mais tarde, uns poucos operadores turísticos foram autorizados a mostrá-los aos forasteiros.

Caminhamos até um dos pontões que serve a fazenda e subimos a bordo de um semi-rígido veloz. Nuns poucos minutos, desembarcamos sobre o cascalho cinzento que cobre o litoral da ilha. Dão-nos uma oportunidade excepcional de  nos aproximarmos e fotografarmos os animais.

Pinguins da ilha Martillo, Tierra del Fuego, Argentina

Pinguins da ilha Martilho, alguns exemplares de uma comunidade bem mais vasta às margens do Canal Beagle.

Habituados às incursões de diferentes navios, os pinguins já não fogem dos humanos como faziam de início. Alguns espécimes, revelam uma paciência que quase se confunde com vaidade fotográfica.

Começamos por estar só nós e os outros passageiros do semi-rígido. Às tantas, dois catamarãs modernos ancoram na iminência do areal. Uma pequena multidão conflui para a proa e, por uns bons 15 minutos, disputa-a e às melhores perspectivas dos pinguins.

Passageiros em catamarã, Ilha Martillo, Tierra del Fuego, Argentina

Passageiros de catamara observam a colónia de pinguins da ilha Martillo, nas imediações da estancia Harberton.

Regressamos a Harberton antes de estas embarcações zarparem de volta ao Beagle. Debaixo de um céu que arroxeava a olhos vistos. Quando nos enfiamos na carrinha, já caiam algumas gotas. Cumprimos os 80 km do trajecto de volta a Ushuaia debaixo de uma das chuvadas inclementes típicas dos confins do mundo por que andávamos.

Ushuaia, Argentina

Ultima Estação: Fim do Mundo

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades Austrais

A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.
Canal Beagle, Argentina

Darwin e o Canal Beagle: no Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies
Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
El Calafate, Argentina

Os Novos Gaúchos da Patagónia

Em redor de El Calafate, em vez dos habituais pastores a cavalo, cruzamo-nos com gaúchos criadores equestres e com outros que exibem para gáudio dos visitantes, a vida tradicional das pampas douradas.
Mendoza, Argentina

Viagem por Mendoza, a Grande Província Enóloga Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, a província de Mendoza está no centro da maior região enóloga da América Latina.
Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.
San Ignácio Mini, Argentina

As Missões Jesuíticas Impossíveis de San Ignácio Mini

No séc. XVIII, os jesuítas expandiam um domínio religioso no coração da América do Sul em que convertiam os indígenas guarani em missões jesuíticas. Mas as Coroas Ibéricas arruinaram a utopia tropical da Companhia de Jesus.
Cataratas Iguaçu/Iguazu, Brasil/Argentina

O Troar da Grande Água

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.
Mendoza, Argentina

De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada
Salta e Jujuy, Argentina

Pelas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.
Perito Moreno, Argentina

O Glaciar Que Resiste

O aquecimento é supostamente global mas não chega a todo o lado. Na Patagónia, alguns rios de gelo resistem.De tempos a tempos, o avanço do Perito Moreno provoca derrocadas que fazem parar a Argentina
El Chalten, Argentina

O Apelo de Granito da Patagónia

Duas montanhas de pedra geraram uma disputa fronteiriça entre a Argentina e o Chile.Mas estes países não são os únicos pretendentes.Há muito que os cerros Fitz Roy e Torre atraem alpinistas obstinados
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Leões juvenis num braço arenoso do rio Chire
Safari
PN Liwonde, Malawi

A Reanimação Prodigiosa do PN Liwonde

Durante largo tempo, a incúria generalizada e o alastrar da caça furtiva vitimaram esta reserva animal. Em 2015, a African Parks entrou em cena. Em pouco tempo, também beneficiário da água abundante do lago Malombe e do rio Chire, o Parque Nacional Liwonde tornou-se um dos mais vivos e exuberantes do Malawi.
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 5º - Ngawal a BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Visitantes nas ruínas de Talisay, ilha de Negros, Filipinas
Arquitectura & Design
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Alturas Tibetanas, mal de altitude, montanha prevenir tratar, viagem
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e as experiências prévias com o Mal de Altitude que não devemos arriscar subir à pressa.
portfólio, Got2Globe, fotografia de Viagem, imagens, melhores fotografias, fotos de viagem, mundo, Terra
Cerimónias e Festividades
Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.
Celebração Nahuatl
Cidades

Cidade do México, México

Alma Mexicana

Com mais de 20 milhões de habitantes numa vasta área metropolitana, esta megalópole marca, a partir do seu cerne de zócalo, o pulsar espiritual de uma nação desde sempre vulnerável e dramática.

Máquinas Bebidas, Japão
Comida
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Tabatô, Guiné Bissau, Balafons
Cultura
Tabatô, Guiné Bissau

Tabatô: ao Ritmo do Balafom

Durante a nossa visita à tabanca, num ápice, os djidius (músicos poetas)  mandingas organizam-se. Dois dos balafonistas prodigiosos da aldeia assumem a frente, ladeados de crianças que os imitam. Cantoras de megafone em riste, cantam, dançam e tocam ferrinhos. Há um tocador de corá e vários de djambés e tambores. A sua exibição gera-nos sucessivos arrepios.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
ilha Streymoy, Ilhas Faroe, Tjornuvik, Gigante e Bruxa
Em Viagem
Streymoy, Ilhas Faroé

Streymoy Acima, ao Sabor da Ilha das Correntes

Deixamos a capital Torshavn rumo a norte. Cruzamos de Vestmanna para a costa leste de Streymoy. Até chegarmos ao extremo setentrional de Tjornuvík, deslumbramo-nos vezes sem conta com a excentricidade verdejante da maior ilha faroesa.
Tatooine na Terra
Étnico
Matmata, Tataouine:  Tunísia

A Base Terrestre da Guerra das Estrelas

Por razões de segurança, o planeta Tatooine de "O Despertar da Força" foi filmado em Abu Dhabi. Recuamos no calendário cósmico e revisitamos alguns dos lugares tunisinos com mais impacto na saga.  
Portfólio, Got2Globe, melhores imagens, fotografia, imagens, Cleopatra, Dioscorides, Delos, Grécia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

O Terreno e o Celestial

Kremlin de Rostov Veliky, Rússia
História
Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.
Ribeira Grande, Santo Antão
Ilhas
Ribeira Grande, Santo AntãoCabo Verde

Santo Antão, Ribeira Grande Acima

Na origem, uma Povoação diminuta, a Ribeira Grande seguiu o curso da sua história. Passou a vila, mais tarde, a cidade. Tornou-se um entroncamento excêntrico e incontornável da  ilha de Santo Antão.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Inverno Branco
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Almada Negreiros, Roça Saudade, São Tomé
Literatura
Saudade, São Tomé, São Tomé e Príncipe

Almada Negreiros: da Saudade à Eternidade

Almada Negreiros nasceu, em Abril de 1893, numa roça do interior de São Tomé. À descoberta das suas origens, estimamos que a exuberância luxuriante em que começou a crescer lhe tenha oxigenado a profícua criatividade.
Comboio Kuranda train, Cairns, Queensland, Australia
Natureza
Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Passadiço principal da Mumbo Island, Lago Malawi
Parques Naturais
Mumbo Island, Malawi

Um Lago Malawi Só para Nós

Dista meros 10km ou 40 minutos num barco tradicional do litoral sempre concorrido de Cape MacLear. Com apenas 1km de diâmetro, a ilha Mumbo proporciona-nos um retiro ecológico memorável no imenso Lago Malawi.
Hipopótamo exibe as presas, entre outros
Património Mundial UNESCO
PN Mana Pools, Zimbabwé

O Zambeze no Cimo do Zimbabwé

Passada a época das chuvas, o minguar do grande rio na fronteira com a Zâmbia lega uma série de lagoas que hidratam a fauna durante a seca. O Parque Nacional Mana Pools denomina uma região fluviolacustre vasta, exuberante e disputada por incontáveis espécimes selvagens.
ora de cima escadote, feiticeiro da nova zelandia, Christchurch, Nova Zelandia
Personagens
Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado da Nova Zelândia

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell, o feiticeiro da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. Com 88 anos de idade, após 23 anos de contrato com a cidade, fez afirmações demasiado polémicas e acabou despedido.
Dunas da ilha de Bazaruto, Moçambique
Praias
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
white pass yukon train, Skagway, Rota do ouro, Alasca, EUA
Sobre Carris
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Salão de Pachinko, video vício, Japão
Sociedade
Tóquio, Japão

Pachinko: o Vídeo – Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Vida Quotidiana
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Transpantaneira pantanal do Mato Grosso, capivara
Vida Selvagem
Pantanal do Mato Grosso, Brasil

Transpantaneira, Pantanal e Confins do Mato Grosso

Partimos do coração sul-americano de Cuiabá para sudoeste e na direcção da Bolívia. A determinada altura, a asfaltada MT060 passa sob um portal pitoresco e a Transpantaneira. Num ápice, o estado brasileiro de Mato Grosso alaga-se. Torna-se um Pantanal descomunal.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.