Grande Zimbabwe

Grande Zimbabué, Mistério sem Fim


Pedra vs Planta
Colónia de aloés excelsa altivos na encosta do Grande Cercado.
Aperto histórico
Anfitrião Philip sobe para o cimo do Complexo da Colina, a mais antiga das secções de Grande Zimbabwe.
No sopé da fortaleza
Muro de pedra do Grande Cercado, com a copa de árvores Mimusops zeyheri ancestrais acima dos onze metros da estrutura.
Coração Zimbabweano
O grande cercado do Grande Zimbawe, um das estruturas que compõem as maiores de uma cidade medieval da África sub-sahariana.
ff4b109a-a79f-4b70-9268-87d8901e0a31
Colónia de aloés excelsa altivos na encosta do Grande Cercado.
85794f60-e694-4bc3-910e-592109986546
Colónia de aloés e das suas rivais eufórbias (muhondes, em dialecto xona), precede o Grande Cercado.
Abrigo
Dani contempla o Grande Cercado da entrada de uma pequena gruta abaixo do Complexo da Colina.
Deco-Dzimbabwe
Pormenor arquitectónico do Grande Cercado.
Descanso providencial
Após a exibição de dança com que prendam os visitantes de Grande Zimbabwe.
As Pedras do Zimbabwe
Identificação do Complexo da Colina do em Dzimbabwe.
Traços Xona
Morador e músico da aldeia xona réplica instalada abaixo do Grande Cercado.
Danças Xona
Grupo de dança dos moradores da aldeia xona réplica instalada abaixo do Grande Cercado.
Na expectativa
Mulheres xona da aldeia xona réplica do Grande Cercado, após a exibição de dança com que prendam os visitantes de Grande Zimbabwe.
Entre os séculos XI e XIV, povos Bantu ergueram aquela que se tornou a maior cidade medieval da África sub-saariana. De 1500 em diante, à passagem dos primeiros exploradores portugueses chegados de Moçambique, a cidade estava já em declínio. As suas ruínas que inspiraram o nome da actual nação zimbabweana encerram inúmeras questões por responder.  

Cada civilização dá no que dá. Há muito que a do Zimbabué já teve melhores dias.

Despertamos em Masvingo entusiasmados por cumprirmos um sonho de há vários anos. O motorista do Stalion Hotel diz-nos que é suposto irmos buscar uma guia da ZTA, a autoridade de turismo nacional. À hora a que saímos, não havia pequeno-almoço no hotel.

As Atribulações Civilizacionais do Zimbabué

Aproveitamos o facto de os escritórios locais da ZTA serem ao lado de um supermercado para superarmos o caos absoluto em que a economia do país andava, fazermos umas compras e quebrarmos o jejum. Chegamos à caixa. Uma vez mais, não nos aceitam as notas de dólares americanos com que queremos pagar.

São anteriores a 2009 e há uma epidemia desse numerário falsificado. As notas mais antigas são as mais copiadas.

Pagamos com euros e recebemos parte do troco em dólares, outra parte em bonds, uma artimanha financeira com que o governo de Harare procurava conter a inflação cada vez mais atroz. Tão complicadas se revelaram as compras que, quando saímos para o parque de estacionamento, já o motorista e Dani nos esperavam há dez minutos.

Apresentamo-nos à jovem anfitriã, instalamo-nos no banco de trás. Seguimos, na galhofa, para sul, na direcção do lago Mutirikwi e do Great Zimbabué National Monument, um dos monumentos mais considerados no Zimbabué.

O lugar mágico e enigmático inspirador do nome da nação independente, há demasiado tempo problemática, que emergiu após a sangrenta Bush War, a guerra civil que, de 1964 a 1979, opôs dois movimentos de libertação (mais tarde também eles rivais) ao governo branco opressor da Rodésia.

Regresso ao Zimbabué Grandioso de outros tempos

Desviamos da estrada principal para uma viela cercada de árvores bem mais amplas e verdejantes que a vegetação da savana de encosta em redor. Dani, conduz-nos ao edifício de acolhimento. Lá nos espera Philip o jovem guia residente do complexo. Philip e Dani já se conheciam havia algum tempo.

À boa maneira da etnia xona e do sul de África em geral, Philip inaugura de imediato uma intensa sessão de piropo e galanteio a Dani que só terminaria com o fim da visita.

Passagem apertada em Great Zimbabwe, Zimbabwe

Anfitrião Philip sobe para o cimo do Complexo da Colina, a mais antiga das secções de Grande Zimbabwe.

O anfitrião lidera o caminho. Conduz-nos por um trilho íngreme que, por vezes enfiado entre enormes rochedos granitícos polidos, conduzia ao cimo do complexo da colina, um dos conjuntos arquitectónicos do monumento. Pouco habituada a caminhadas, Nadia arfa e reclama da aspereza do percurso. Quando é altura de subirmos ao topo vertiginoso da fortaleza, teima em ficar à espera na sua base.

Não tardamos a perceber que a vista privilegiada compensava todo e qualquer esforço da ascensão, não tarda, tornada escalada.

Abaixo, espraiava-se o sulco mais profundo de um vale. Para diante, uma encosta verdejante salpicada por grandes calhaus. No sopé já algo inclinado dessa encosta, destacava-se o fulcro de uma velha fortaleza arredondada, cercada por vestígios do que terão sido muros exteriores, em tempos mais elevados, agora adornados por acácias e por uma colónia de aloés excelsa altivos.

Ruínas de Great Zimbabwe, Zimbabwe

O grande cercado do Grande Zimbawe, um das estruturas que compõem as maiores de uma cidade medieval da África sub-sahariana

Estruturas Misteriosas e Excepcionais

Philip transmite-nos algumas das inúmeras explicações históricas de que carecíamos. Quando detecta a primeira das nossas sucessivas pausas para fotografia, intercala o seu discurso com novos cortejos a Dani que permanecia no sopé dos grandes rochedos que tínhamos conquistado, a dar ao dedo no seu smartphone.

Como o nome indicava, o Grande Zimbabué era o maior de vários zimbabués (complexos de ruínas) disseminados por aquela imensidão do planalto sul-africano.

Não só era o maior como continua a ser considerado a maior das cidades medievais de toda a África sub-saariana, com muralhas que chegavam aos 11 metros de altura, com 250 de extensão, compostas apenas por pedras trabalhadas e empilhadas, sem qualquer argamassa.

Pedras das ruínas de Great Zimbabwe

Identificação do Complexo da Colina do em Dzimbabwe.

Apesar da sua impressionante dimensão e do óbvio poder e influência da civilização que a construiu, a sua origem e autoria permanece objecto de acesa polémica.

O facto de o povo que a ergueu não usar comunicação escrita fez com que nunca tenham sido encontrados testemunhos ou registos gráficos.

Aqueles que existem, datam de a partir do século XV, como os deixados pelos exploradores portugueses que começaram a aventurar-se àquelas partes, oriundos da vizinha colónia lusa de Moçambique.

O Centro de uma Prolífica Fonte de Ouro

Crê-se que Grande Zimbabué foi erguido ao longo dos anos entre os séculos XI e XV pelos ascendentes Gokomere (bantus) da civilização xona (Zimbabwe: dzimba = casas e mabwe = pedras é, aliás, um termo xona), a etnia predominante na actual nação zimbabueana.

A determinada altura, a cidade ocupou uma área em redor de 80 hectares. Assumiu uma dimensão e importância de tal forma impressionantes que, durante a Idade Média, se tornou notória em África, em redor do Mar Vermelho – de onde chegavam mercadores árabes – e, mais, também entre os exploradores europeus.

Escavações arqueológicas lá revelaram ouro e moedas de Kilwa, um sultanato nas imediações de Zanzibar. Também contas e porcelanas da China.

A explicação mais propagada para a emergência de Grande Zimbabué centra-se na abundância de ouro e marfim na região, que terá justificado o engrandecimento do reino detentor daquelas paragens, a construção de um trono-fortaleza à altura da realeza e da protecção dos filões que a enriqueciam.

No seu zénite, habitaram-na quase 20.000 habitantes, os mais humildes alojados em palhotas cónicas com telhados de colmo. Depois de um bom tempo a vasculharmos os pormenores da acrópole do complexo da colina, o mais antigo, regressamos à sua base.

Grande Cercado, o âmago do “baixo” Grande Zimbabué

Logo, tomamos o trilho que conduzia ao complexo do vale que tínhamos apreciado à distância e, na sequência, ao elíptico Grande Cercado.

Aproximamo-nos da colónia de aloés e das suas rivais eufórbias (muhondes, em dialecto xona), ambas disseminadas numa área de muralhas preambulares arredondadas mas desgastadas pelo tempo e que agora mais parecem canteiros.

Aloés excelsa junto ao muro do Grande Cercado, Great Zimbabwe

Colónia de aloés excelsa altivos na encosta do Grande Cercado.

Alguns metros acima, deslumbramo-nos com a imponência sobranceira da grande muralha. As copas de algumas Mimusops zeyheri ancestrais parecem espreitar-nos do cimo da cerca de pedra que, em parte, foi tingida de amarelado por uma floresta densa de líquenes oportunistas. Philip aproxima-se de um muro externo quase raro.

A sua humana pequenez ajuda-nos a valorizar a herança civilizacional que tínhamos a fortuna de apreciar. Não tardamos a passar para o interior.

O Grande Cercado terá sido erguido durante o século XIV em blocos de granito. Protegia uma série de alojamentos familiares de famílias mais próximas da realeza. As suas cabanas eram feitas de tijolos de areia granítica e argila.

Muro do Grande Cercado, Great Zimbabwe, Zimbabwe

Muro de pedra do Grande Cercado, com a copa de árvores Mimusops zeyheri ancestrais acima dos onze metros da estrutura.

Partilhavam uma área comunal e uma ligação para uma passagem exígua que conduzia a uma torre cónica de dez metros encostada à muralha, ainda hoje à sombra das enormes árvores que ali despontam.

Não se sabe ao certo, qual terá sido a sua função. As duas teorias mais populares são bastante discrepantes. Uma defende ter sido um reservatório de grãos. A outra, um símbolo fálico.

Nos tempos de glória da povoação, os restantes súbditos residiam no vale contíguo. Criavam gado, cultivavam cereais e tubérculos. Levavam a cabo o comércio do ouro com mercadores que chegavam sobretudo do litoral do oceano Índico.

Philip comunica-nos que, foram achadas em áreas próximas oito esculturas em pedra-sabão, assentes em colunas, que retratavam figuras que combinavam aves com feições humanas – lábios em vez de bicos e pés com cinco dedos. Seriam símbolos de poder real.

De acordo, após a independência de Abril de 1980, foram adoptadas como símbolo da nova nação zimbabueana.

Pormenor arquitectónico de Great Zimbabwé

Pormenor arquitectónico do Grande Cercado.

Do Zénite ao Abandono Testemunhado pelos Exploradores Portugueses

Mas, tal como emergiu, o Grande Zimbabué desvaneceu-se. No início do século XVI, os exploradores portugueses começaram a aventurar-se para o interior de Moçambique em busca de riquezas. As narrativas de abundância de ouro levaram-nos às paragens da velha cidade.

Em 1506, Diogo de Alcáçova chegou a descrever o lugar numa carta que enviou ao rei Dom Manuel como integrante de um tal reino de Ucalanga.

Em 1531, Vicente Pegado, capitão da guarnição de Sofala, já descreveu o lugar já como um legado ao tempo. Crê-se que, por volta de 1450, Grande Zimbabué estaria já abandonada. A falta de registos escritos do antecedentes do povo xona, faz com que não se saiba, com certeza, a razão.

Contam-se, entre as explicações mais fidedignas, o facto de o ouro das minas se ter esgotado e levado a um declínio acentuado na relevância do lugar em que, em simultâneo, a abundante população se terá visto também em sérias dificuldades para obter alimento na região em redor, cada vez mais deflorestada.

Sabe-se que quando a situação se tornou realmente grave, um emissário, Nyatsimba Mutota, foi enviado ao norte em busca de fontes de sal que preservasse a carne. O abandono urgente de Grande Zimbabué, terá favorecido Khami, um estado rival e concorrente, hoje ruínas do género de Grande Zimbabué ainda que sem a sua magnificência.

Mais tarde, o historiador português João de Barros, referiu-se a um tal de império Mutapa que sucedeu ao de Zimbabué, com capital num lugar distinto em que não existiam as pedras que viabilizaram a construção de Grande Zimbabué.

Gruta com vista para o Grande Cercado de Great Zimbabwe

Dani contempla o Grande Cercado da entrada de uma pequena gruta abaixo do Complexo da Colina.

Explicações que não Mitigam o Enigma

Como sempre acontece nestes casos, quantos mais cientistas, estudiosos e saqueadores de tesouros chegam, mais teorias e certezas vêm ao de cima. Em 1871, Karl Mauch, um explorador e cartógrafo alemão viu pela primeira vez as ruínas.

Não esperou muito para as associar ao Rei Salomão e à Rainha de Sabá, como haviam já feito outros estudiosos como o escritor português João dos Santos. Essa interpretação disseminou-se entre a comunidade branca de colonos em África. Inaugurou uma série de outras.

Patrocinado por Cecil Rhodes, o determinado e egocêntrico mentor da Rodésia, J. Theodore Bent passou uma temporada nas ruínas, após o que publicou  “The Ruined Cities of Mashonaland”.

Nesta sua obra, defendia que a cidade fora erguida ou pelos Fenícios ou pelos Árabes. Instigou o preconceito do governo (e da população) racista e pró-apartheid rodesiana de que nunca poderiam ter sido construídas por povos negros.

Moradoras da aldeia xona de Great Zimbabwe

Mulheres xona da aldeia xona réplica do Grande Cercado, após a exibição de dança com que prendam os visitantes de Grande Zimbabwe.

As autoridades do Zimbabué sempre rejeitaram estas postulações – e outras similares – que procuraram retirar o crédito de tão marcante civilização aos seus antecessores. Como forma de animar o lugar e de ilustrar o passado xona, mantêm uma réplica de aldeia xona que encontramos a pouca distância a norte do Grande Cercado.

Os seus habitantes mostram-nos o prolífico artesanato da comunidade. E exibem-nos danças tradicionais com o empenho possível, tendo em conta que o fazem de sol a sol, sempre que novos forasteiros por ali passam.

Assistimos ao espectáculo com o interesse que nos mereciam nem que fosse pela sua provável descendência dos autores do Grande Zimbabué.

Dança xona, Great Zimbabwe

Grupo de dança dos moradores da aldeia xona réplica instalada abaixo do Grande Cercado

Em seguida, despedimo-nos de Philip. Deixamo-lo entregue à rotina de aguardar por visitantes a quem oferecer os seus serviços. E, às ruínas, às muitas incertezas da história zimbabueana por esclarecer.

Mais informação sobre Grande Zimbabué na página correspondente da UNESCO.

Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou o Templo de Karnak e a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.
Tulum, México

A Mais Caribenha das Ruínas Maias

Erguida à beira-mar como entreposto excepcional decisivo para a prosperidade da nação Maia, Tulum foi uma das suas últimas cidades a sucumbir à ocupação hispânica. No final do século XVI, os seus habitantes abandonaram-na ao tempo e a um litoral irrepreensível da península do Iucatão.
Grande ZimbabuéZimbabué

Grande Zimbabwe, Pequena Dança Bira

Nativos de etnia Karanga da aldeia KwaNemamwa exibem as danças tradicionais Bira aos visitantes privilegiados das ruínas do Grande Zimbabwe. o lugar mais emblemático do Zimbabwe, aquele que, decretada a independência da Rodésia colonial, inspirou o nome da nova e problemática nação.  

Matarraña a Alcanar, Espanha

Uma Espanha Medieval

De viagem por terras de Aragão e Valência, damos com torres e ameias destacadas de casarios que preenchem as encostas. Km após km, estas visões vão-se provando tão anacrónicas como fascinantes.

Machu Picchu, Peru

A Cidade Perdida em Mistério dos Incas

Ao deambularmos por Machu Picchu, encontramos sentido nas explicações mais aceites para a sua fundação e abandono. Mas, sempre que o complexo é encerrado, as ruínas ficam entregues aos seus enigmas.
Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As cataratas que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua rainha
San Ignácio Mini, Argentina

As Missões Jesuíticas Impossíveis de San Ignácio Mini

No séc. XVIII, os jesuítas expandiam um domínio religioso no coração da América do Sul em que convertiam os indígenas guarani em missões jesuíticas. Mas as Coroas Ibéricas arruinaram a utopia tropical da Companhia de Jesus.
PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Kanga Pan, Mana Pools NP, Zimbabwe

Um Manancial Perene de Vida Selvagem

Uma depressão situada a 15km para sudeste do rio Zambeze retém água e minerais durante toda a época seca do Zimbabué. A Kanga Pan, como é conhecida, nutre um dos ecossistemas mais prolíficos do imenso e deslumbrante Parque Nacional Mana Pools.
PN Mana Pools, Zimbabwé

O Zambeze no Cimo do Zimbabwé

Passada a época das chuvas, o minguar do grande rio na fronteira com a Zâmbia lega uma série de lagoas que hidratam a fauna durante a seca. O Parque Nacional Mana Pools denomina uma região fluviolacustre vasta, exuberante e disputada por incontáveis espécimes selvagens.
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Leões juvenis num braço arenoso do rio Chire
Safari
PN Liwonde, Malawi

A Reanimação Prodigiosa do PN Liwonde

Durante largo tempo, a incúria generalizada e o alastrar da caça furtiva vitimaram esta reserva animal. Em 2015, a African Parks entrou em cena. Em pouco tempo, também beneficiário da água abundante do lago Malombe e do rio Chire, o Parque Nacional Liwonde tornou-se um dos mais vivos e exuberantes do Malawi.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Treasures, Las Vegas, Nevada, Cidade do Pecado e Perdao
Arquitectura & Design
Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.
O pequeno farol de Kallur, destacado no relevo caprichoso do norte da ilha de Kalsoy.
Aventura
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
cowboys oceania, Rodeo, El Caballo, Perth, Australia
Cerimónias e Festividades
Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.
Palácio de Cnossos, Creta, Grécia
Cidades
Iraklio, CretaGrécia

De Minos a Menos

Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.
Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Mini-snorkeling
Cultura
Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso à Praia de Danny Boyle

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Cruzeiro Princess Yasawa, Maldivas
Em Viagem
Maldivas

Cruzeiro pelas Maldivas, entre Ilhas e Atóis

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.
Lifou, Ilhas Lealdade, Nova Caledónia, Mme Moline popinée
Étnico
Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

A Vida Lá Fora

Cilaos, ilha da Reunião, Casario Piton des Neiges
História
Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.
Solovestsky Outonal
Ilhas
Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Inverno Branco
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
Sombra vs Luz
Literatura
Quioto, Japão

O Templo de Quioto que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.
Bando de flamingos, Laguna Oviedo, República Dominicana
Natureza
Laguna de Oviedo, República Dominicana

O Mar (nada) Morto da República Dominicana

A hipersalinidade da Laguna de Oviedo oscila consoante a evaporação e da água abastecida pela chuva e pelos caudais vindos da serra vizinha de Bahoruco. Os nativos da região estimam que, por norma, tem três vezes o nível de sal do mar. Lá desvendamos colónias prolíficas de flamingos e de iguanas entre tantas outras espécies que integram este que é um dos ecossistemas mais exuberantes da ilha de Hispaniola.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Foz incandescente, Grande Ilha Havai, Parque Nacional Vulcoes, rios de Lava
Parques Naturais
Big Island, Havai

Grande Ilha do Havai: À Procura de Rios de Lava

São cinco os vulcões que fazem da ilha grande Havai aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.
Património Mundial UNESCO
Nikko, Japão

Nikko, Toshogu: o Santuário e Mausoléu do Xogum Tokugawa

Um tesouro histórico e arquitectónico incontornável do Japão, o santuário Toshogu de Nikko homenageia o mais importante dos xoguns nipónicos, mentor da nação japonesa: Tokugawa Ieyasu.
Em quimono de elevador, Osaka, Japão
Personagens
Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A noite japonesa é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, acolhe-nos uma anfitriã de couchsurfing enigmática, algures entre a gueixa e a acompanhante de luxo.
Lançamento de rede, ilha de Ouvéa-Ilhas Lealdade, Nova Caledónia
Praias
Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Na ilha de Ouvéa, arquipélago das Lealdade, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.
Religião
Circuito Annapurna: 5º - Ngawal a BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre Carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
patpong, bar go go, banguecoque, mil e uma noites, tailandia
Sociedade
Banguecoque, Tailândia

Mil e Uma Noites Perdidas

Em 1984, Murray Head cantou a magia e bipolaridade nocturna da capital tailandesa em "One Night in Bangkok". Vários anos, golpes de estado, e manifestações depois, Banguecoque continua sem sono.
saksun, Ilhas Faroé, Streymoy, aviso
Vida Quotidiana
Saksun, StreymoyIlhas Faroé

A Aldeia Faroesa que Não Quer ser a Disneylandia

Saksun é uma de várias pequenas povoações deslumbrantes das Ilhas Faroé, que cada vez mais forasteiros visitam. Diferencia-a a aversão aos turistas do seu principal proprietário rural, autor de repetidas antipatias e atentados contra os invasores da sua terra.
femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Vida Selvagem
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.