Mykines, Ilhas Faroé

No Faroeste das Faroé


Sobre a crista de Mykines
Ovelhas num primeiro plano e uma fila de caminhantes nas alturas de Mykines.
A bordo do “Jósup”
Passageiros do "Jósup", o barco que faz a viagem entre Sórvagur e a ilha de Mykines.
As 40 Casas de Mykines
A única povoação de Mykines, Ilhas Faroé
Caminhante atrás da crista de Mykines
Visitante de Mykines, passa por um corredor protegido por um portão.
Rio para Mykines
Casario de Mykines além de um dos riachos que sulcam a ilha.
Papagaios-do-mar no ar
Papagaios-do-mar tentam aterragens complicadas no limiar de Mykines.
Erva do solo aos telhados
Casas tradicionais do povoado de Mykines, com telhados de erva e turfa.
Vida de papagaio-do-mar
Papagaios-do-mar sobre um tapete de erva de Mykines.
Caminhada pastoril
Caminhantes descem um trilho de Mykines com um rebanho a percorrê-lo à sua frente.
Duo ovino
Ovelhas com estilos distintos de lã sobre um ervado de Mykines.
Trio na névoa
Vultos sumidos na névoa que se apoderou subitamente de Mykinesholmur.
Ovelha a perder o seu tapete de lã
Ovelha em processo de perda de lã, coça-se contra uma rocha.
Picos de Mykines
Picos aguçados de Mykines e Mykinesholmur.
Duo em tons de verde
Caminhantes percorrem o trilho que conduz a Mykinesholmur.
Papagaiada-do-mar
Colónia de papagaios-do-mar sobre um penhasco de Mykinesholmur.
Louro & Moreno
Cavalos pastam acima do povoado de Mykines.
Fila Faroense
Jovens caminhantes percorrem um trilho de volta ao povoado de Mykines.
Curiosidade de lã
Cordeiros espreitam do cimo da crista de Mykines, com um enorme precipício detrás de si.
O abrigo perfeito
Cordeiro abrigado do vento e da névoa num recorte de terra de Mykinesholmur.
Papagaios-do-mar, papagaios-do-ar
Dois dos muitos papagaios-do-mar. Mykines alberga a maior colónia das ilhas Faroé desta aves.
Mykines estabelece o limiar ocidental do arquipélago Faroé. Chegou a albergar 179 pessoas mas a dureza do retiro levou a melhor. Hoje, só lá resistem nove almas. Quando a visitamos, encontramos a ilha entregue aos seus mil ovinos e às colónias irrequietas de papagaios-do-mar.

Com Mykines já em vista, passamos da ilha de Streymoy para a de Vagar por um dos túneis submarinos longos (4.9km) e convenientes das Faroé. Contornamos a pista de aterragem do aeroporto internacional encaixado em Vagar. Da sua projecção, descemos, aos esses, para o nível do mar.

À imagem de tantas outras povoações disseminadas pelo arquipélago intrincado e recortado, Sorvágur esconde-se numa enseada que encerra um fiorde.

Quase no término da estrada Bakkavegur e nos confins da aldeia, chegamos à última paragem rodoviária da viagem: o pequeno porto local de que partiam as embarcações para a ilha vizinha de Mykines.  Damos com uma fila multinacional, conversadora e, como é suposto nestas terras nórdicas da Europa, ordeira.

Tindhólmur, Drangarnir e a Travessia Embalada a Bordo do “Jósup”

De baptismo “Jósup”, o barco revela-se menor do que esperávamos. Mesmo assim, os passageiros ajustam-se sem percalços aos lugares sentados na popa e aos de pé nas bordas em redor da cabine do timoneiro. Não tardamos a navegar ao longo do Sorvagsfjordur.

Ilheu de Tindhólmur e o rochedo de Dranganir, ao longe, Ilhas Faroé

Ilheu de Tindhólmur e o rochedo de Dranganir, vistos à distância.

Quando aquele golfo se abre ao Atlântico, o homem do leme aponta a embarcação a sudoeste. Fá-la navegar entre a península sinuosa que delimita o fiorde e o ilhéu de Tindhólmur. Sulcamos um Atlântico Norte especial.

O rochedo de Drangarnir que contornamos e o próprio Tindhólmur projectam-se do leito marinho para o céu como esculturas exuberantes da erosão e dos milénios. Nos tempos recentes, estão entre as imagens  mais divulgadas do arquipélago.

Drangarnir, aquela por que passamos primeiro, é composta por duas formações rochosas. A mais proeminente é uma espécie de pórtico marinho surreal. Conta com um “buraco de agulha” no âmago de um penhasco massivo com o cimo cortado na diagonal, como que por um machado dos deuses.

Ilhéu de Tindhólmur, Ilhas Faroé

Ilhéu de Tindhólmur visto do barco “Jósup” com os seus cinco picos ainda visíveis.

À medida que dele nos distanciamos, vemos Tindhólmur definir-se com os seus cinco picos aguçados alinhados no cimo de uma falésia rochosa e côncava que contrasta com a vertente oblíqua e verdejante oposta. Mais que gráfico e fotogénico, o ilhéu é excêntrico e majestoso. De tal forma emblemático que as gentes das Faroé se dignaram a dar nomes a cada um dos seus picos: Ytsti, Arni, Lítli, Breidi e Bogdi.

Mas não é só a geologia que engrandece Drangarnir e Tindhólmur. Os feroeses costumam dizer que “as suas ilhas não têm má meteorologia, o que têm é muita meteorologia.” Ali mesmo, o tempo agreste e a inevitável bravura do mar ilustram na perfeição esse dizer.

Passageiros do "Jósup", rumo a Mykines, Ilhas Faroé

Passageiros do “Jósup”, o barco que faz a viagem entre Sórvagur e a ilha de Mykines.

Navegação pelo Sul e Ancoragem no Extremo Ocidente de Mykines

Mal deixamos a proteção afunilada do fiorde e nos metemos na passagem entre o limiar de Vagar e Tindhólmur, o “Jósup” luta contra correntes poderosas e contra vagas que o enguiço do vento e das marés tornam caprichosas. Alguns passageiros sofrem os efeitos do embalo que se prolonga, inclemente, até nos alinharmos com a costa sul de Mykines e ficarmos ao abrigo da poderosa nortada.

Percorremos boa parte dos 10km recortados do litoral meridional da ilha, ao longo do sopé das suas falésias de rocha que, a espaços, vemos cobertas por uma erva estival resiliente.

Uma hora depois da partida de Sórvagur, o barco faz-se a uma enseada mais apertada que outras por que havíamos passado. Desvenda-nos o portinho improvisado de Mykines e a povoação homónima – a única da ilha – com o seu casario aglomerado acima, num vale ervado.

Povoado de Mykines, Ilhas Faroé

Casario de Mykines, visto do mar.

Centenas de aves instaladas nas fendas e nichos dos penhascos em redor recebem-nos com guinchos estridentes de indignação.

Tão ordeiros como havíamos embarcado, desembarcamos. Subimos uma escadaria íngreme. No topo, uma jovem moradora recebe os forasteiros e elucida-os quanto ao que podem e não podem fazer na ilha.

O Incrível Trilho Para o Farol Mykineshólmur

Foram delineados cinco trilhos, cada qual com a sua cor no mapa e características. Sabíamos de antemão que o nº5, o que seguia até ao farol na ponta da ilha-irmã de Mykineshólmur e voltava ao ponto de partida, era o mais popular. Não tardaríamos a confirmar porquê.

Caminhante num trilho de Mykinesholmur, Mykines, Ilhas Faroé

Caminhante percorre o trilho que conduz ao farol de Mykinesholmur.

Optamos por guardar a visita à povoação para o regresso. Viramos-lhe as costas e ascendemos uma longa ladeira na extremidade de prados salpicados de ovelhas. No seu cimo, alcançamos a crista daquela secção de Mykines. Este padrão contrastante e vertiginoso viria a repetir-se em boa parte da caminhada.

De cada vez que nos aventurávamos a espreitar para norte dessa crista, dávamos com abismos aprumados que, nos pontos mais elevados, chegavam às várias centenas de metros.

Não obstante, como tínhamos já constatado noutros lugares das Faroé, determinadas em alcançar a erva viçosa irrigada pelo vento húmido do norte, as ovelhas desafiavam-nos amiúde. Víamo-las de todas as cores e feitios. Negras, brancas, castanhas e malhadas.

Ovelhas e Mais Ovelhas

Ovelhas, cordeiros e borregos plácidos. Carneiros enormes com trejeitos territoriais e cornos enrolados a condizer. Muitos dos espécimes tinham sido tosquiados. Ou, semi-nús, largavam o manto de lã farto que os protegia do Inverno frígido. Entre estas ovelhas, várias tentavam aliviar a comichão que o (relativo) calor estival provocava esfregando-se em rochas aguçadas.

Nos primeiros momentos sobre a ilha, perdemo-nos naquele deslumbre ovino e fotogénico de vermos tanta ovelha em movimentos e poses fotogénicas: sobre saliências e nichos ervados, umas empoleiradas com o mar cinzentão em fundo, outras, contra o céu coberto que acinzentava o oceano.

Ovelhas em Mykines, Ilhas Faroé

Cordeiros espreitam do cimo da crista de Mykines, com um enorme precipício detrás de si.

Por fim, consciencializamo-nos de que não tínhamos todo o tempo do mundo. Retomamos o trilho já só com paragens incontornáveis para registarmos as vistas incríveis que detectávamos. Sobretudo o vale que ficara para trás e o casario colorido que o habitava.

Ainda em fase ascendente do percurso, iludimo-nos a pensar que o caminho que conduzia ao farol seguiria, plano e liso. Umas dezenas de metros para diante, o trilho entra num aperto ainda mais exíguo da crista. Revela-nos um inesperado abismo frontal. Procurámos uma sequência que não nos acabasse com a vida.

Por fim, achamos o fio ao trilho, escondido numa espécie de passagem natural que a erosão tinha forçado à falésia. Um portão de madeira e uma vedação de arame protegiam-nos de uma longa queda mortal. Em simultâneo, serviam de pórtico e de corredor de acesso a uma área distinta da ilha, o reduto repleto de aves marinhas responsável pela fama suprema do trilho para o farol.

Um Outro Domínio Vertiginoso e Avícola

Num dos dias anteriores, tínhamos participado num tour aos rochedos de Vestmanna, divulgado como ideal para contemplação dos pitorescos papagaios-do-mar. Verdade seja dita que, por uma ou por outra razão, não vimos nesses rochedos, sem dúvida impressionantes, um único espécime.

Tal frustração fez com que os participantes tivessem regressado a terra a resmungar com o engano. Ao invés, daquele recanto em diante, partilharíamos Mykines com a maior colónia de papagaios-do-mar das Faroé.

Colónia de papagaios-do-mar à entrada de Mykinesholmur, Ilhas Faroé

Colónia de papagaios-do-mar sobre um penhasco de Mykinesholmur.

Saímos desse corredor uma vez mais para a vertente sul e ervada da ilha. De um momento para o outro, avistamos várias cabecinhas coloridas a espreitar-nos de dentro de tocas abertas na terra molhada e dissimuladas por tufos frondosos. Trilho fora, os espécimes isolados e ocultos transformaram-se em grupos sem nada a esconder, alinhados em arestas inclinadas que espreitavam braços de mar abaixo.

Aproximamo-nos do desfiladeiro marinho que separa o corpo principal de Mykines da sub-ilha de Mykineshólmur. A nortada enfia-se, furiosa, nesse intervalo. Fustiga a paisagem e os papagaios-do-mar, as gaivotas, os corvos-marinhos, as tordas-mergulheiras, alcatrazes e guillemots.

No Reino dos Papagaios-do-Mar

Sentamo-nos por momentos em frente a um núcleo de papagaios-do-mar sobre uma crista da ilha que usavam como ponto de aterragem. Apreciamo-los a virarem as cabeças para cá e para lá, desconfiados, como bonecos mecânicos pré-programados. A descolarem arrastados, a grande velocidade, pela ventania.

Papagaios-do-mar, Mykines

Dois dos muitos papagaios-do-mar. Mykines alberga a maior colónia das ilhas Faroé desta aves.

E, no regresso, a tentarem alinhar as suas travagens desajeitadas com o perfil da vertente e o espaço que a colónia lhes reservava. Riamo-nos a bom rir de cada vez que abortavam as suas aterragens e, aflitos, se viam obrigados a aproximações correctivas contra o vento.

Mas, tal como acontecera com as ovelhas, lembramo-nos que não podíamos conviver a tarde toda com os adoráveis “puffins”. De acordo, atravessamos a ponte que cruza o desfiladeiro e aventuramo-nos por um trilho intermédio da encosta sul de Mykineshólmur. Apesar de uma névoa fulminante se apoderar da ilha, voltamos a detectar ovelhas em toda a sua abundância e graciosidade.

Cordeiro abrigado do vento em Mykinesholmur, Ilhas Faroé

Cordeiro abrigado do vento e da névoa num recorte de terra de Mykinesholmur.

O Velho Farol de Mykineshóllmur Perdido na Névoa

Quando chegamos ao farol de Mykines, a visibilidade estava reduzida a uns meros metros. Empresta mais sentido ao hólmur colocado em 1909 no extremo da ilha como alerta para a navegação. A náutica mas não só. Antes dele, já muitas catástrofes tinham acontecido.

Vultos na névoa, junto ao farol de Mykinesholmur, Ilhas Faroé.

Vultos sumidos na névoa que se apoderou subitamente de Mykinesholmur.

Segundo reza a história, em 1595, cerca de 50 navios de várias partes do arquipélago foram surpreendidos por uma tempestade fulminante e naufragaram. Crê-se que todos os homens aptos para o trabalho de Mykines pereceram. Em 1607, o “Walcheren“, um navio holandês naufragou ao largo da ilha e os moradores abasteceram-se com boa parte dos bens que seguiam a bordo.

Quando passamos no extremo sul e mais baixo de Mykineshólmur, damos de caras com um mar distorcido, repleto de ondas e cristas geradas por correntes poderosas. Não estávamos sequer sob nenhuma tormenta mas esta visão deixa-nos poucas dúvidas do que aquele Atlântico do Norte era capaz.

Colónia de aves e mar revolto em Mykinesholmur, Ilhas Faroé

Colónia de aves sobre um rochedo no limiar de Mykinesholmur com um mar mexido por uma forte corrente.

Em 1970, um avião Fokker F27 Friendship  procedente de Bergen, Noruega  e destinado ao aeroporto de Vagar viu-se em más condições meteorológicas. Despenhou-se em Mykines. O capitão e todos os passageiros sentados no lado esquerdo do avião morreram de imediato.

Outros vinte e seis sobreviveram se bem que alguns com ferimentos graves.  Três dos que haviam sustido apenas ferimentos ligeiros conseguiram caminhar até à povoação e pedir auxílio. Os habitantes acorreram em socorro até pelo menos à chegada de uma embarcação de patrulha dinamarquesa.

Nesse mesmo ano, a luz do farol foi automatizada. De acordo, o último morador (de um máximo histórico de 22) abandonou de vez o lugarejo de Holm.

Jovens visitantes regressam à povoação de Mykines, Ilhas Faroé

Jovens caminhantes percorrem um trilho de volta ao povoado de Mykines.

Regresso à Pressa ao Povoado da Ilha

Pelo nosso lado, não estávamos em modo de protagonizar tragédias. Preocupava-nos a perspectiva de que a névoa se espessasse ainda mais e dissimulasse os trilhos dependurados e vertiginosos que ali nos haviam levado. Como tal, apressámos o retorno.

Descemos para o povoado de Mykines, encharcados em suor mas a salvo. Recuperado o fôlego, deambulamos pelas suas ruelas, entre casas tradicionais com telhados de turfa e erva e outras com arquitecturas distintas, incluindo a igreja sem cruz que abençoa a comunidade diminuta e há muito decrescente da ilha.

Casas tradicionais de Mykines, Ilhas Faroé

Casas tradicionais do povoado de Mykines, com telhados de erva e turfa.

Cruzamo-nos apenas com os forasteiros com quem tínhamos chegado de barco, vários deles à conversa na pousada local, a Marit’s House B&B.

No seu ápice populacional de 1925 – quando formava uma das maiores aldeias das Faroé – Mykines chegou a acolher 179 habitantes. Em 1940, ainda eram 170. De então em diante, aos poucos, os nativos abandonaram o seu retiro, rendidos à vida mais conveniente de outras paragens do arquipélago.

Subsistem 40 casas na povoação. Já só seis delas são habitadas durante todo o ano. Como acontece um pouco por todas as Faroé, os nove habitantes da ilha, proprietários resilientes dos terrenos, dos muitos ovinos e alguns equino da ilha usam helicópteros para irem e voltarem da ilha e receberem abastecimentos e o correio que continua a ser distribuído por Jancy, a sua fiel carteira.

Cavalos em Mykines, Ilhas Faroé

Cavalos pastam acima do povoado de Mykines.

Os helicópteros são providenciais sobretudo durante o Inverno, quando o mar está quase sempre demasiado bravo para que as viagens se façam em segurança. Mas, mesmo no Verão, tempestades que chegam sem aviso obrigam ao cancelamento das travessias de barco.

Com frequência, a meteorologia traiçoeira força os forasteiros a permanecer em Mykines dias a fio. Por volta das sete da tarde, avistámos o “Jósup” a atracar uma vez mais na ilha.

Barco Jósup no porto de Mykines, Ilhas Faroé

Barco “Jósup” ancorado no pequeno porto de Mykines.

Estava na hora de regressarmos à capital Torshavn. Enquanto embarcávamos não conseguíamos afastar a sensação de ali querermos ficar retidos por dois, três, quatro dias. Uma semana. Que fosse.

PN Thingvellir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.
Nova Zelândia  

Quando Contar Ovelhas Tira o Sono

Há 20 anos, a Nova Zelândia tinha 18 ovinos por cada habitante. Por questões políticas e económicas, a média baixou para metade. Nos antípodas, muitos criadores estão preocupados com o seu futuro.
Península de Banks, Nova Zelândia

O Estilhaço de Terra Divinal da Península de Banks

Vista do ar, a mais óbvia protuberância da costa leste da Ilha do Sul parece ter implodido vezes sem conta. Vulcânica mas verdejante e bucólica, a Península de Banks confina na sua geomorfologia de quase roda-dentada a essência da sempre invejável vida neozelandesa.
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Islândia

Ilha de Fogo, Gelo, Cascatas e Quedas de Água

A cascata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.
Lagoa de Jok​ülsárlón, Islândia

O Canto e o Gelo

Criada pela água do oceano Árctico e pelo degelo do maior glaciar da Europa, Jokülsárlón forma um domínio frígido e imponente. Os islandeses reverenciam-na e prestam-lhe surpreendentes homenagens.
Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.
Oslo, Noruega

Uma Capital (sobre) Capitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
Tórshavn, Ilhas Faroé

O Porto Faroês de Thor

É a principal povoação das ilhas Faroé desde, pelo menos, 850 d.C., ano em que os colonos viquingues lá estabeleceram um parlamento. Tórshavn mantém-se uma das capitais mais diminutas da Europa e o abrigo divinal de cerca de um terço da população faroense.
Vágar, Ilhas Faroé

O Lago que Paira sobre o Atlântico Norte

Por um capricho geológico, Sorvagsvatn é muito mais que o maior lago das ilhas Faroé. Falésias com entre trinta a cento e quarenta metros limitam o extremo sul do seu leito. De determinadas perspectivas, dá a ideia de estar suspenso sobre o oceano.
Kirkjubour, Streymoy, Ilhas Faroé

Onde o Cristianismo Faroense deu à Costa

A um mero ano do primeiro milénio, um missionário viquingue de nome Sigmundur Brestisson levou a fé cristã às ilhas Faroé. Kirkjubour, tornou-se o porto de abrigo e sede episcopal da nova religião.
Streymoy, Ilhas Faroé

Streymoy Acima, ao Sabor da Ilha das Correntes

Deixamos a capital Torshavn rumo a norte. Cruzamos de Vestmanna para a costa leste de Streymoy. Até chegarmos ao extremo setentrional de Tjornuvík, deslumbramo-nos vezes sem conta com a excentricidade verdejante da maior ilha faroesa.
Saksun, StreymoyIlhas Faroé

A Aldeia Faroesa que Não Quer ser a Disneylandia

Saksun é uma de várias pequenas povoações deslumbrantes das Ilhas Faroé, que cada vez mais forasteiros visitam. Diferencia-a a aversão aos turistas do seu principal proprietário rural, autor de repetidas antipatias e atentados contra os invasores da sua terra.
Fiéis saúdam-se no registão de Bukhara.
Cidade
Bukhara, Uzbequistão

Entre Minaretes do Velho Turquestão

Situada sobre a antiga Rota da Seda, Bukhara desenvolveu-se desde há pelo menos, dois mil anos como um entreposto comercial, cultural e religioso incontornável da Ásia Central. Foi budista, passou a muçulmana. Integrou o grande império árabe e o de Gengis Khan, reinos turco-mongois e a União Soviética, até assentar no ainda jovem e peculiar Uzbequistão.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
Esteros del Iberá, Pantanal Argentina, Jacaré
Safari
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 10º: Manang a Yak Kharka, Nepal

A Caminho das Terras (Mais) Altas dos Annapurnas

Após uma pausa de aclimatização na civilização quase urbana de Manang (3519 m), voltamos a progredir na ascensão para o zénite de Thorong La (5416 m). Nesse dia, atingimos o lugarejo de Yak Kharka, aos 4018 m, um bom ponto de partida para os acampamentos na base do grande desfiladeiro.
Igreja colonial de São Francisco de Assis, Taos, Novo Mexico, E.U.A
Arquitectura & Design
Taos, E.U.A.

A América do Norte Ancestral de Taos

De viagem pelo Novo México, deslumbramo-nos com as duas versões de Taos, a da aldeola indígena de adobe do Taos Pueblo, uma das povoações dos E.U.A. habitadas há mais tempo e em contínuo. E a da Taos cidade que os conquistadores espanhóis legaram ao México, o México cedeu aos Estados Unidos e que uma comunidade criativa de descendentes de nativos e artistas migrados aprimoram e continuam a louvar.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Aventura
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
Desfile de nativos-mericanos, Pow Pow, Albuquerque, Novo México, Estados Unidos
Cerimónias e Festividades
Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o pow wow "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.
Natal nas Caraíbas, presépio em Bridgetown
Cidades
Bridgetown, Barbados e Granada

Um Natal nas Caraíbas

De viagem, de cima a baixo, pelas Pequenas Antilhas, o período natalício apanha-nos em Barbados e em Granada. Com as famílias do outro lado do oceano, ajustamo-nos ao calor e aos festejos balneares das Caraíbas.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Cultura
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Espectador, Melbourne Cricket Ground-Rules footbal, Melbourne, Australia
Desporto
Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o Futebol Australiano só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.
Iguana em Tulum, Quintana Roo, México
Em Viagem
Iucatão, México

A Lei de Murphy Sideral que Condenou os Dinossauros

Cientistas que estudam a cratera provocada pelo impacto de um meteorito há 66 milhões de anos chegaram a uma conclusão arrebatadora: deu-se exatamente sobre uma secção dos 13% da superfície terrestre suscetíveis a tal devastação. Trata-se de uma zona limiar da península mexicana de Iucatão que um capricho da evolução das espécies nos permitiu visitar.
Barrancas del Cobre, Chihuahua, mulher Rarámuri
Étnico
Barrancas del Cobre, Chihuahua, México

O México Profundo das Barrancas del Cobre

Sem aviso, as terras altas de Chihuahua dão lugar a ravinas sem fim. Sessenta milhões de anos geológicos sulcaram-nas e tornaram-nas inóspitas. Os indígenas Rarámuri continuam a chamar-lhes casa.
luz solar fotografia, sol, luzes
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Mascarado de Zorro em exibição num jantar da Pousada Hacienda del Hidalgo, El Fuerte, Sinaloa, México
História
El Fuerte, Sinaloa, México

O Berço de Zorro

El Fuerte é uma cidade colonial do estado mexicano de Sinaloa. Na sua história, estará registado o nascimento de Don Diego de La Vega, diz-se que numa mansão da povoação. Na sua luta contra as injustiças do jugo espanhol, Don Diego transformava-se num mascarado esquivo. Em El Fuerte, o lendário “El Zorro” terá sempre lugar.
Djerba, Ilha, Tunísia, Amazigh e os seus camelos
Ilhas
Djerba, Tunísia

A Ilha Tunisina da Convivência

Há muito que a maior ilha do Norte de África acolhe gentes que não lhe resistiram. Ao longo dos tempos, Fenícios, Gregos, Cartagineses, Romanos, Árabes chamaram-lhe casa. Hoje, comunidades muçulmanas, cristãs e judaicas prolongam uma partilha incomum de Djerba com os seus nativos Berberes.
Igreja Sta Trindade, Kazbegi, Geórgia, Cáucaso
Inverno Branco
Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbek (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.
Recompensa Kukenam
Literatura
Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima

Perduram no cimo do Monte Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.
Praia de El Cofete do cimo de El Islote, Fuerteventura, ilhas Canárias, Espanha
Natureza
Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha

A (a) Ventura Atlântica de Fuerteventura

Os romanos conheciam as Canárias como as ilhas afortunadas. Fuerteventura, preserva vários dos atributos de então. As suas praias perfeitas para o windsurf e o kite-surf ou só para banhos justificam sucessivas “invasões” dos povos do norte ávidos de sol. No interior vulcânico e rugoso resiste o bastião das culturas indígenas e coloniais da ilha. Começamos a desvendá-la pelo seu longilíneo sul.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Parque Nacional Cahuita, Costa Rica, Caribe, Punta Cahuita vista aérea
Parques Naturais
Cahuita, Costa Rica

Uma Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral da Costa Rica tão afro quanto das Caraíbas. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.
, México, cidade da prata e do Ouro, lares sobre túneis
Património Mundial UNESCO
Guanajuato, México

A Cidade que Brilha de Todas as Cores

Durante o século XVIII, foi a cidade que mais prata produziu no mundo e uma das mais opulentas do México e da Espanha colonial. Várias das suas minas continuam activas mas a riqueza de Guanuajuato que impressiona está na excentricidade multicolor da sua história e património secular.
Ooty, Tamil Nadu, cenário de Bollywood, Olhar de galã
Personagens
Ooty, Índia

No Cenário Quase Ideal de Bollywood

O conflito com o Paquistão e a ameaça do terrorismo tornaram as filmagens em Caxemira e Uttar Pradesh um drama. Em Ooty, constatamos como esta antiga estação colonial britânica assumia o protagonismo.
Baie d'Oro, Île des Pins, Nova Caledonia
Praias
Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
Promessa?
Religião
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Comboio do Fim do Mundo, Terra do Fogo, Argentina
Sobre Carris
Ushuaia, Argentina

Ultima Estação: Fim do Mundo

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Em quimono de elevador, Osaka, Japão
Sociedade
Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A noite japonesa é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, acolhe-nos uma anfitriã de couchsurfing enigmática, algures entre a gueixa e a acompanhante de luxo.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Fazenda de São João, Pantanal, Miranda, Mato Grosso do Sul, ocaso
Vida Selvagem
Fazenda São João, Miranda, Brasil

Pantanal com o Paraguai à Vista

Quando a fazenda Passo do Lontra decidiu expandir o seu ecoturismo, recrutou a outra fazenda da família, a São João. Mais afastada do rio Miranda, esta outra propriedade revela um Pantanal remoto, na iminência do Paraguai. Do país e do rio homónimo.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.