Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos


Bufalada
Manada de búfalos defende o seu charco da aproximação de uma vaca.
Rivais de corrida
Nativos convivem sobre os seus búfalos pouco antes de uma corrida a ter lugar em Soure
Bufalos-ilha-do-marajo-brasil-corrida
"Jockey" incentiva búfalo a acelerar, perseguido por dois amigos numa mota, durante uma corrida realizada em Soure
Búfalo busca combustível
Búfalo procura alimento numa estação de serviço pouco movimentada de Soure.
Búfalo selvagem
Búfalo refresca-se num charco lamacento de uma das muitas fazendas da ilha do Marajó
Bufalo e polícia militar
Polícia militar dá uma indicação a um subordinado que trata de um dos búfalos ao serviço do seu esquadrão
Bufalos-ilha-do-marajo-brasil-bufalos-da-policia
Militares e búfalos sob um alpendre do quartel-general da polícia montada de Soure.
Búfalos percorrem Soure
Dois búfalos atravessam Soure, a principal cidade da ilha do Marajó.
Bufalos-ilha-do-marajo-brasil-engraxamento-bufalo-da-policia
Auxiliar engraxa os cornos de um dos búfalos da polícia montada
Bufalos-ilha-do-marajo-brasil-matanca
Empregados esquartejam um dos búfalos da Fazenda do Carmo que acabaram de matar
Bufalos-ilha-do-marajo-brasil-policia-a-bufalo
Oficiais da polícia montada a búfalo da Ilha de Marajó
Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem uma das maiores manadas do mundo e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Descobrimos, num ápice, o motivo porque quase toda a gente de Belém, capital do Pará, e Soure, principal cidade da Ilha do Marajó, evitava a viagem vespertina de travessia da foz do Amazonas.

Nos primeiros momentos do trajecto, protegido pela proximidade da margem continental, o ferry ainda segue estável.  Quando se interna no vasto rio, fica à mercê de um vento furibundo.

Balança sem misericórdia. Ondas barrentas que castigam a proa, fazem os passageiros perder o balanço e a coragem de se voltarem a levantar. Ou condenam-nos a enjoos que se disseminam como uma epidemia.

Quatro horas e meia depois, Soure aparece, à distância. O comandante aponta o barco ao litoral marajoense e salva-nos da tormenta.

Terminada a manobra de acostagem, a multidão conflui para a porta de saída e desembarca de forma sôfrega. Deixamo-nos levar pela corrente, disponíveis para conversas de ocasião com passageiros curiosos: “’Tão de visita a Marajó é? ‘Cês vão adorar. Essa balsa aqui é que não tem jeito, não. Eu sofro isso de cada vez que vou ver o meu Papão (Paysandu Sport Club) jogar lá em Belém.

Parece que o prefeito veio ontem nela. Apanhou um susto tão grande que foi implorar ao comandante para regressar a Belém. Sabem o que ele respondeu? “ Sô Prefeito, se eu tentar voltar esse barco agora, vamos todos ao fundo”, conta-nos um marajoense de cabelo grisalho.

Os Búfalos que Barram o Caminho para Soure

A turba some-se em dezenas de carros e carrinhas. Ou, como nós, nos velhos ónibus coloridos que ligam o ancoradouro a Soure, a capital da ilha. Uma hora de estrada roubada à selva depois, falta apenas uma travessia de rabeta (balsa) para chegarmos ao destino. Três búfalos barram a passagem do autocarro.

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Búfalo refresca-se num charco lamacento de uma das muitas fazendas da ilha do Marajó

“Xuuu, monstros feios, grita, pela janela, uma de várias amigas estudantes ansiosas por se ver em casa”. “Pô!!  Já tem bicho desse demais nessa ilha!” acrescenta outra, com um humor indignado.

Os animais eram um dos motivos porque tínhamos seguido os passos dos primeiros exploradores lusos e viajado aos confins setentrionais do Brasil. Não tardámos a constatar a sua fascinante predominância.

Padre António Vieira: o Pai Grande que os Indígenas Respeitavam

Francisco Xavier de Mendonça Furtado – um irmão do Marquês de Pombal e governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão, de 1751 a 1759 – foi o fundador da cidade que nos iria acolher, Soure. Era a capital da maior ilha fluviomarinha do mundo, que os nativos e residentes gabam ter o tamanho da Suíça.

O Padre António Vieira já por ali andara um século antes, chamavam os portugueses ao lugar Ilha Grande de Joanes, devido ao contacto que tinham tido com os índios juioanas.

Estes, como as outras tribos Neengaibas (nome dado ao grupo de nações dos indígenas), começaram por aceitar a oferta de paz. Entretanto, perceberam o logro e passaram a atacá-los. O governador de então, D. Pedro de Melo, e o Padre António Vieira esforçaram-se por sanar o conflito. E o seu esforço produziu efeito.

Um grupo de índios acabou por visitar o jesuíta no Colégio da Companhia. Ali, informaram-no que se iriam reconciliar com os portugueses, apenas e só porque confiavam no “Payassu – O Padre Grande”, como tratavam Vieira com afeição.

Nessa época, quase só os indígenas habitavam Marajó. Povoá-la com colonos soava a projecto quimérico. As únicas zonas desprovidas de vegetação eram pântanos irrigados pela meteorologia de monção que, de Janeiro a Junho, continua a ensopá-la. E a molhá-la, de quando em quando, nos meses menos chuvosos.

Para outros recém-chegados, essas condições revelaram-se perfeitas.

A Colonização Inesperada por Búfalos Asiáticos Naufragados

Conta-se na ilha que, no início do século XIX, um barco francês navegava vindo da Índia ou Indochina. Tinha como destino final na Guiana Francesa mas naufragou na boca infindável do Amazonas.

Ali, durante a época das chuvas, o Mar Dulce – assim lhe chamou Vicente Pinzón, o primeiro europeu a subi-lo, o Amazonas pode despejar no oceano Atlântico até 300.000 metros cúbicos de água por segundo (20% de toda a água doce da Terra). Consoante as marés, pode ainda provocar poderosos fluxos e correntes.

Mas se a embarcação não resistiu, os búfalos-de-água carabao que transportava fizeram melhor. Nadaram até à segurança do litoral da ilha. Instalaram-se nos seus charcos e pântanos e multiplicaram-se. Mais tarde, alguns fazendeiros importaram espécies distintas e cruzaram-nas.

Hoje, aqueles bovídeos são quase 700.000, divididos por carabaos, jafarabadis, murrah e mediterrânicos, cada espécie com os seus chifres característicos. A população humana, essa, fica-se pelos 250.000 habitantes. Em certos dias, nalguns lugares, parece ter desaparecido do mapa.

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Militares e búfalos sob um alpendre do quartel-general da polícia montada de Soure.

Búfalos por Toda a Cidade de Soure. Búfalo nos Menus dos Restaurantes

É Domingo. Levantamo-nos cedo e deixamos o Hotel Soure para explorarmos a urbe homónima em redor. Por volta do meio-dia, anestesia-nos o cansaço acumulado de deslocações recentes. Regressamos à base e entregamo-nos a um sono rejuvenescedor. Quando saímos, mais para a tarde, encontramos as ruas entregues aos búfalos.

Como fantasmas negros e quadrúpedes, os animais deambulam ao sabor dos frutos maduros largados pela floresta de mangueiras que abriga a cidade do sol equatorial. Não há ninguém que os conduza ou importune. Não há ninguém, ponto final.

Estamos no dia sagrado de descanso. Soure em peso mudou-se para as praias de Marajó. Chamamos um moto-taxi e juntamo-nos a essa romaria balnear.

Voltamos à cidade a tempo de jantar num restaurante do centro. É no menu do estabelecimento que começamos a perceber a verdadeira dependência da ilha pelos búfalos.

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Dois búfalos atravessam Soure, a principal cidade da ilha do Marajó.

A carne no churrasco é de búfalo, há queijo de búfalo e doce de leite de búfalo a acompanhar a sobremesa. Podíamos escolhê-la entre pudim ou sericaia, ambos feitos com leite de búfala.

Na decoração da sala, encontramos ainda fotos de búfalos, cabeças embalsamadas e peças de artesanato feitas com o couro dos animais. A coisa não ficaria por aí.

Tem início nova semana de trabalho. A vida regressa às ruas de Soure. A cidade e Marajó em geral parecem-nos tranquilas como poucos lugares do Brasil. Depressa nos resgatam à ilusão. “’Cês tenham cuidado com essas câmaras. Tem um monte de pilantras nessa ilha” afiança Araújo, o gerente do hotel em que ficamos.

Desconfiamos de que dramatiza mas acabamos por passar na rua da prisão e convencemo-nos. As celas estão em contacto directo com o exterior. Permitem aos criminosos colocar os braços de fora e meter-se com os transeuntes. Também estão a abarrotar.

A Inusitada Polícia Militar Montada em Búfalo de Marajó

A esquadra e os seus pilantras não serão as causas. Mas, a Polícia Militar do Pará é provavelmente a única do mundo que patrulha uma ilha de búfalo. Há mais de 20 anos que tem ao seu serviço uma Bufalaria composta por 10 espécimes.

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Oficiais da polícia montada a búfalo da Ilha de Marajó

É algo que o cabo Cláudio Vitelli explica com naturalidade: ”percebemos que a população usava os animais para várias actividades e lembrámo-nos que também nos podiam ajudar.  Temos casos que nos obrigam a percorrer terrenos alagados ou com lama que só mesmo o búfalo aguenta.””

Não apurámos se os agentes a eles recorrem para resolver esses crimes mas, ironia das ironias, de tempos a tempos, a força policial de Soure captura ladrões de búfalos.

No dia seguinte, espreitamos a alvorada do quartel, a formação matinal dos cadetes e a preparação dos animais para novas patrulhas que, entre outras tarefas, contempla escovagens intermináveis e o engraxamento dos seus chifres.

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Auxiliar engraxa os cornos de um dos búfalos da polícia montada

Acompanhamos a saída dos policiais para as ruas, montados sobre os bubalinos de escala que ali começam mais uma lenta e pesada ronda.

Os búfalos têm, todavia, outros usos. Uns mais, outros menos excêntricos que este.

A Preponderância dos Búfalos nas Festas e no Turismo Fazendeiro de Marajó

Durante o mês em que vivemos na Ilha de Marajó, participámos numa Festa do Açaí excêntrica que incluiu uma corrida tresloucada e poeirenta de búfalos.

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“Jockey” incentiva búfalo a acelerar, perseguido por dois amigos numa mota, durante uma corrida realizada em Soure

Praticamente todas as fazendas de Marajó criam riqueza em forma de manadas bubalinas. Pelo seu valor pecuário mas não só. De há algumas décadas para cá, a ilha desenvolveu a sua faceta turística.

Muitas fazendas aproveitaram para lucrar com o acolhimento rural dos visitantes. Quase todas organizam passeios montados em búfalo ou cavalo. Na Fazenda do Carmo Camará, tivemos oportunidade de confirmar a monotonia de uma volta. A passo, demasiado lenta, e até desconfortável.

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Empregados esquartejam um dos búfalos da Fazenda do Carmo que acabaram de matar

Mas nem todos os búfalos da ilha são mansos. Muitos, resistem em estado selvagem em pântanos infestados de anacondas e jacarés ou até na proximidade das povoações e fazendas. Preservam intactos os seus instintos territoriais e de defesa.

Vimo-los saírem disparados de um charco para perseguir uma vaca cebuana sedenta que se aproximava. Segundo nos contam, chegam a atacar os fazendeiros e seus trabalhadores, principalmente quando se deslocam a cavalo.

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Manada de búfalos defende o seu charco da aproximação de uma vaca.

Assim que voltamos do passeio, um empregado caboclo dá-nos um recado de Seu Cadique e Dona Circe, os proprietários. “Eles disseram prá’ visar vocês que a gente vai matar gora mêmo um búfalo que ‘tava dando demasiado problema.

Se quiserem assistir, é só vir comigo.”

Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
PN Kaziranga, Índia

O Baluarte dos Monocerontes Indianos

Situado no estado de Assam, a sul do grande rio Bramaputra, o PN Kaziranga ocupa uma vasta área de pântano aluvial. Lá se concentram dois terços dos rhinocerus unicornis do mundo, entre em redor de 100 tigres, 1200 elefantes e muitos outros animais. Pressionado pela proximidade humana e pela inevitável caça furtiva, este parque precioso só não se tem conseguido proteger das cheias hiperbólicas das monções e de algumas polémicas.
Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.
Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.
Lençois da Bahia, Brasil

A Liberdade Pantanosa do Quilombo do Remanso

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.
Cairns a Cape Tribulation, Austrália

Queensland Tropical: uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.
Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.
Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.
PN Chobe, Botswana

Chobe: um rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Ilhabela, Brasil

Ilhabela: Depois do Horror, a Beleza Atlântica

Nocenta por cento de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ilhabela.
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Hidroeléctrica Binacional de Itaipu, Brasil

HidroElétrica Binacional do Itaipu: a Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.
Moradores percorrem o trilho que sulca plantações acima da UP4
Cidade
Gurué, Moçambique, Parte 1

Pelas Terras Moçambicanas do Chá

Os portugueses fundaram Gurué, no século XIX e, a partir de 1930, inundaram de camelia sinensis os sopés dos montes Namuli. Mais tarde, renomearam-na Vila Junqueiro, em honra do seu principal impulsionador. Com a independência de Moçambique e a guerra civil, a povoação regrediu. Continua a destacar-se pela imponência verdejante das suas montanhas e cenários teáceos.
Anfitrião Wezi aponta algo na distância
Praia
Cobué; Nkwichi Lodge, Moçambique

O Moçambique Recôndito das Areias Rangentes

Durante um périplo de baixo a cima do (lago) Malawi, damos connosco na ilha de Likoma, a uma hora de barco do Nkwichi Lodge, o ponto de acolhimento solitário deste litoral interior de Moçambique. Do lado moçambicano, o lago é tratado por Niassa. Seja qual for o seu nome, lá descobrimos alguns dos cenários intocados e mais impressionantes do sudeste africano.
O rio Zambeze, PN Mana Poools
Safari
Kanga Pan, Mana Pools NP, Zimbabwe

Um Manancial Perene de Vida Selvagem

Uma depressão situada a 15km para sudeste do rio Zambeze retém água e minerais durante toda a época seca do Zimbabué. A Kanga Pan, como é conhecida, nutre um dos ecossistemas mais prolíficos do imenso e deslumbrante Parque Nacional Mana Pools.
Fiel em frente à gompa A gompa Kag Chode Thupten Samphel Ling.
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 15º - Kagbeni, Nepal

Às Portas do ex-Reino do Alto Mustang

Antes do século XII, Kagbeni já era uma encruzilhada de rotas comerciais na confluência de dois rios e duas cordilheiras em que os reis medievais cobravam impostos. Hoje, integra o famoso Circuito dos Annapurnas. Quando lá chegam, os caminhantes sabem que, mais acima, se esconde um domínio que, até 1992, proibia a entrada de forasteiros.
Music Theatre and Exhibition Hall, Tbilissi, Georgia
Arquitectura & Design
Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.
Salto Angel, Rio que cai do ceu, Angel Falls, PN Canaima, Venezuela
Aventura
PN Canaima, Venezuela

Kerepakupai, Salto Angel: O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra
Indígena Coroado
Cerimónias e Festividades
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Por uns Trás-os-Montes da Venezuela em Fiesta

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.
Porvoo, Finlândia, armazéns
Cidades
Porvoo, Finlândia

Uma Finlândia Medieval e Invernal

Uma das povoações anciãs da nação suómi, no início do século XIV, Porvoo era um entreposto ribeirinho atarefado e a sua terceira cidade. Com o tempo, Porvoo perdeu a importância comercial. Em troca, tornou-se um dos redutos históricos venerados da Finlândia.  
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Igreja Ortodoxa de Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia
Cultura
Bolshoi Zayatsky, Rússia

Misteriosas Babilónias Russas

Um conjunto de labirintos pré-históricos espirais feitos de pedras decoram a ilha Bolshoi Zayatsky, parte do arquipélago Solovetsky. Desprovidos de explicações sobre quando foram erguidos ou do seu significado, os habitantes destes confins setentrionais da Europa, tratam-nos por vavilons.
Espectador, Melbourne Cricket Ground-Rules footbal, Melbourne, Australia
Desporto
Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o Futebol Australiano só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.
Em Viagem
Moçamedes ao PN Iona, Namibe, Angola

Entrada em Grande na Angola das Dunas

Ainda com Moçâmedes como ponto de partida, viajamos em busca das areias do Namibe e do Parque Nacional Iona. A meteorologia do cacimbo impede a continuação entre o Atlântico e as dunas para o sul deslumbrante da Baía dos Tigres. Será só uma questão de tempo.
Elalab, vista aérea, Guiné Bissau
Étnico
Elalab, Guiné Bissau

Uma Tabanca na Guiné dos Meandros sem Fim

São incontáveis os afluentes e canais que, a norte do grande rio Cacheu, serpenteiam entre manguezais e encharcam terras firmes. Contra todas as dificuldades, gentes felupes lá se instalaram e mantêm povoações prolíficas que envolveram de arrozais. Elalab, uma delas, tornou-se uma das tabancas mais naturais e exuberantes da Guiné Bissau.
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

A Vida Lá Fora

A Casa Oswald Hoffman, património arquitectónico de Inhambane.
História
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A Capital Vigente de uma Terra de Boa Gente

Ficou para a história que um acolhimento generoso assim fez Vasco da Gama elogiar a região. De 1731 em diante, os portugueses desenvolveram Inhambane, até 1975, ano em que a legaram aos moçambicanos. A cidade mantém-se o cerne urbano e histórico de uma das províncias mais reverenciadas de Moçambique.
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Ilhas
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Uma Savona nas Antilhas

Durante a sua segunda viagem às Américas, Colombo desembarcou numa ilha exótica encantadora. Baptizou-a de Savona, em honra de Michele da Cuneo, marinheiro savonês que a percebeu destacada da grande Hispaniola. Hoje tratada por Saona, essa ilha é um dos édenes tropicais idolatrados da República Dominicana.

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Oulu: uma Ode ao Inverno

Situada no cimo nordeste do Golfo de Bótnia, Oulu é uma das cidades mais antigas da Finlândia e a sua capital setentrional. A meros 220km do Círculo Polar Árctico, até nos meses mais frígidos concede uma vida ao ar livre prodigiosa.
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Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
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Moyo: Uma Ilha Indonésia Só Para Alguns

Poucas pessoas conhecem ou tiveram o privilégio de explorar a reserva natural de Moyo. Uma delas foi a princesa Diana que, em 1993, nela se refugiou da opressão mediática que a viria a vitimar.
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Dias Dourados que Antecederam a Tempestade

À margem dos acontecimentos políticos e bélicos precipitados pela Rússia, de meio de Setembro em diante, o Outono toma conta do país. Em anos anteriores, de visita a São Petersburgo, testemunhamos como a capital cultural e do Norte se reveste de um amarelo-laranja resplandecente. Num deslumbre pouco condizente com o negrume político e bélico entretanto disseminado.
Leão, elefantes, PN Hwange, Zimbabwe
Parques Naturais
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O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Canal de Lazer
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De Canal em Canal, numa Holanda Surreal

Liberal no que a drogas e sexo diz respeito, Amesterdão acolhe uma multidão de forasteiros. Entre canais, bicicletas, coffee shops e montras de bordéis, procuramos, em vão, pelo seu lado mais pacato.
Verificação da correspondência
Personagens
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Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
República Dominicana, Praia Bahia de Las Águilas, Pedernales. Parque Nacional Jaragua, Praia
Praias
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Em Busca da Praia Dominicana Imaculada

Contra todas as probabilidades, um dos litorais dominicanos mais intocados também é dos mais remotos. À descoberta da província de Pedernales, deslumbramo-nos com o semi-desértico Parque Nacional Jaragua e com a pureza caribenha da Bahia de las Águilas.
Camponesa, Majuli, Assam, India
Religião
Majuli, Índia

Uma Ilha em Contagem Decrescente

Majuli é a maior ilha fluvial da Índia e seria ainda uma das maiores à face da Terra não fosse a erosão do rio Bramaputra que há séculos a faz diminuir. Se, como se teme, ficar submersa dentro de vinte anos, mais que uma ilha, desaparecerá um reduto cultural e paisagístico realmente místico do Subcontinente.
Chepe Express, Ferrovia Chihuahua Al Pacifico
Sobre Carris
Creel a Los Mochis, México

Barrancas de Cobre, Caminho de Ferro

O relevo da Sierra Madre Occidental tornou o sonho um pesadelo de construção que durou seis décadas. Em 1961, por fim, o prodigioso Ferrocarril Chihuahua al Pacifico foi inaugurado. Os seus 643km cruzam alguns dos cenários mais dramáticos do México.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Sociedade
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Vida Selvagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.